Teatro e Video

A equipe de vídeo propõe investigar e disponibilizar o vídeo através de uma abordagem pratica e teórica, a fim de despertar o interesse para as diversas possibilidades de comunicação a partir do vídeo, explorando novas percepções de conhecer, ouvir e se expressar. Exploramos uma tentativa de troca ou de diálogo, um exercício de polifonia que permita a multiplicidade de vozes. Documentário, videoclipe e videoexperimental, linguagens híbridas, códigos polifônicos e meios diversos estão sendo explorados e são elementos dessa criação. Compreender as ações no campo da imagem em movimento, como a imagem nos possibilita o uso da tecnologia audiovisual, gerando novas propostas de criação, crítica e comportamento. O núcleo experimentou possíveis intersecções entre a linguagem teatral e o vídeo, através de gravação e edição de cenas improvisadas ou planejadas, sendo elaborados semanalmente novos vídeos sobre os temas relacionados a Corpos Acumulados

O registro audiovisual dos ensaios da II Trupe (não apenas dos do núcleo de vídeo) é importante para a documentação do trabalho dos atores que pode ser sempre revisitado quando necessário, seja visando a reelaboração técnica de cenas e personagens, seja como material de pesquisa para possíveis futuros interessados. Exploramos uma tentativa de troca ou de diálogo, um exercício de polifonia que permita a multiplicidade de vozes

O vídeo é o lugar da fragmentação, da edição, do descentramento, do desequilibrio da polifonia, (heterogeneidade estrutural do espaço), da velocidade, da dissolução do sujeito, da abstração (não-figurativismo). O vídeo revela a realidade e que pelo registro do que é e acontece, constitui uma forma de pensamento e reflexão da realidade concreta daqueles que a vivem. Muitas formas de comunicação extrapolam a realidade, exagerando coisas normalmente aceitas ou simplesmente criando novas formas de se perceber esta realidade. Compreender as ações no campo da imagem em movimento, como a imagem nos possibilita o uso da tecnologia audiovisual, gerando novas propostas de criação, crítica e comportamento

TRAILER – Corpos Acumulados
Temporada de 30 de Janeiro a 28 de Marco de 2010

O vídeo nasce e se desenvolve numa dupla direção. De um lado, chamamos de vídeo um conjunto de obras semelhantes às do cinema e da televisão, gravadas com câmeras, posteriormentes editadas, em que, ao final do processo, são dadas a ver ao espectador numa tela grande ou pequena. Mas, de outro, vídeo pode ser também um dispositivo: um evento, uma instalação, uma complexa cenográfia de telas, objetos e carpintaria, que implicam o espectador em relações ao mesmo tempo perceptivas, físicas e ativas, abrangendo, portanto muito mais do que aquilo que mostram as telas. Algumas instalações de vídeo já não têm nenhuma imagem prévia (pré-gravada), nenhuma fita magnética com uma “obra’ registrada, nenhum vídeocassete para “rodá-la”: há nelas apenas um circuito fechado, em que o espectador, ao deixar-se incorporar ao dispositivo, vê a sua própria imagem desdobrar-se no espaço perceptivo

Mídia e internet

No mês de abril de 2009, foi criado um vídeo para entrar na programação dos ônibus coletivos de São Paulo. O objetivo era convidar e comunicar a população, a participar dos núcleos de pesquisas Peripatéticos, que ocorreram no Pinel.

No processo de criação do vídeo, a cada parte finalizada, era testada uma forma de divulgação via internet. Uma das primeiras versões do vídeo foi enviada para o grupo via e-mail, em anexo. Um dos e-mails falava:
“não rola mandar arquivos de vídeo por e-mail exatamente por isso. Lota a caixa postal e corremos o risco da pessoa não conseguir ver.”

Outro e-mail:
“ao assistí-lo, eu não conseguia prestar atenção nas duas coisas, imagem e texto, tive que escolher um foco por vez…e mesmo assim ficou um pouco confuso pra mim…achei q tanto as legendas qto as imagens estão muito rápidas…”
Achamos o que estava incomodando não era o nome dos núcleos aparecendo em outras imagens. Mas o tempo para ler o nome dos núcleos com a imagem em movimento de fundo. Então optamos por enquadrar no mesmo quadro os núcleos de pesquisas, com uma cena ao lado,

Com a impossibilidade de divulgação via e-mail, na qual enche a caixa postal. Decidimos abrir uma conta no youtube.com. O que nos possibilitou postar o vídeo de divulgação dos núcleos e passar via e-mail apenas o link dos vídeos

LABIRINTO DOSLHARES – 16’ 45 min.

O vídeo faz parte da cena, é projetado em uma das paredes em ruínas, com uma janela com os vidros quebrados. No espaço, esta acontecendo uma festa, ‘rave’, onde são apresentadas cinco cenas simultaneamente.
No período de construção das cenas, foram pesquisados alguns vídeos próximos ao tema para experimentar junto com os ensaios do grupo. Junto às imagens, temos um seletor de imagens e duas câmeras de segurança direcionada para as cenas. Assim, as imagens projetadas poderiam, através do seletor, mudarem de acordo com o ritmo das cenas, projetando uma edição dinâmica e decorrente do ritmo dos atores.
Porém, com a perda da qualidade visual das imagens das câmeras de segurança associado à projeção ser em uma parede degradada e escura, optamos por criar um vídeo único, partindo dos vídeos pesquisados. O vídeo tem um movimento contínuo, sem inicio nem fim, sem linearidade, mudando constantemente suas cores e desenhos gráficos. A partir deste vídeo realizamos uma seleção de imagens, desde imagens de ensaios e apresentações de nossa antiga sede, em São Mateus, passando pelos laboratórios, núcleos peripatéticos, núcleos desterritorializados e ensaios abertos do próprio espetáculo.
Com o acumulo e a fragmentação de pequenos episódios do processo criativo, o vídeo reinventa suas próprias imagens, em uma fragmentação de imagens já usadas em outros vídeos, sendo (re) significadas em outro contexto e outro formato que sofre interrupções e retomadas. Projetar imagens de vídeo sobre paredes texturadas e rugosas, ou ainda sobre chão regular, de modo a perturbar a inteligibilidade das imagens ou corromper a sua coerência figurativa.


Labirinto do olhar
Enviado por TEATROEVIDEO. – videos de Arte e de animação

Os receptores (público), ao assistirem trechos do vídeo em cena, se deparam com os mais diferentes lugares e pessoas por onde o grupo passou, re-significando e alterando o olhar para os personagens em cena. Diferente dos atores, quando ao assistirem se depara com suas próprias imagens e situações. A proposta deste ‘sonho em mutação’, é possibilitar ao receptor o dialogo com a cena e a possibilidade de significados abertos

Nucleo de pesquisa

O método de exercícios investigado pelo Núcleo de teatro e Vídeo propõem uma rotatividade nas coordenações das atividades a cada encontro. De modo geral, em cada dia, um é responsável pelo planejamento e coordenação da atividade. Ao demais, além de trazerem propostas e as usarem no decorrer do ensaio, cabe a responsabilidade de manter a dinâmica com os demais participantes dos ensaios do núcleo. Assim, quando a coordenação dos encontros obtém sucesso, através de estímulos verbais, corporais, visuais ou de objetos, estabelece-se uma relação com o tempo do espaço de cada um, gerando uma troca de experiências e histórias de vidas

O núcleo não se reduz ao ponto de vista da equipe de realização, nem esta se reduz ao ponto de vista do núcleo. Para sustentação e aprofundamento teórico da linguagem audiovisual e a necessária intersecção com a linguagem teatral, o grupo partiu do estudo das seguintes referências: Sergei Eisenstein (A Forma do Filme e O Sentido do Filme); Arlindo Machado (Made in Brasil – Três Décadas do Vídeo Brasileiro); Glauber Rocha (Cartas ao Mundo e Revolução do Cinema Novo); Susan Sontag (Sobre Fotografia); Andrei Tarkovski (Esculpir o Tempo); Roland Barthes (Câmara Clara); Eugênio Bucci (Videologias e tese de doutorado: Televisão Objeto: A Crítica e suas Questões de Método); Phillippe Dubois (Cinema, Vídeo, Godard); Jacques Aumont (A Imagem/ O olho interminável)

Cronograma:

1º encontro

Referências: Câmera Clara, de Roland Barthes e o filme, Estamira, de Marcos Prado
Referência Roteiro: Cena 1
Coordenação: Anderson
Local: CAPS

Trechos do filme Estamira

Começamos o aquecimento no CAPS através de orientações que indicassem aos atores explorarem a espacialidade, o contato visual com os demais atores e, como ação interna, as diversas possibilidades de reinterpretação da auto-imagem criada por cada um.
A partir daí, as indicações passaram a voltar essa “reinterpretação” para a imagem que os atores/personagens tinham de si mesmos. “O que você encara quando você encara o olhar do outro? Qual a sua desgraça? Se desmontem, se esfacelem, se decomponham”.
Parte do trabalho foi feito com vendas nos olhos. A filmadora não foi utilizada como objeto central nesse ensaio, pois, seguindo as referências, priorizou-se explorar o conceito de imagem sendo construída pela consciência, a partir de referências subjetivas, e como esse processo poderia ser exteriorizado e transformado em cena.
“Ora, a partir do momento que me sinto olhando pela objetiva, tudo muda: ponho-me a ‘posar’, fabrico-me instantaneamente num outro corpo, metamorfoseio-me antecipadamente em imagem”
Após o encerramento do ensaio, houve críticas no sentido de que o coordenador poderia ter: trazido mais conteúdos do roteiro, dado instruções um pouco mais objetivas.

2º Encontro

Referência teórica: Sobre Fotografia, de Susan Sontag
Referência Roteiro: Cena 1
Coordenação: Ricardo
Local: Agudos – Masculino

Primeiro trabalho do ano realizado em um dos prédios do Hospital e com moradores, ocorreram imprevistos que comprometeram bastante o andamento dos ensaios.
Rito social, uma proteção contra sociedade e um instrumento de poder, comemorar conquistas, foto-troféus, Mônica levar máquina, Gabriel levar máquina, uma para a Leila, outra para o Anderson, seqüências de consumo. Dependência da câmera torna real aquilo que a pessoa vivência, isso dá forma a experiência: Pare, tire uma foto e vai em frente. Tiradores de foto em geral munidos de duas câmeras, uma em cada lado do corpo. Câmera falsa, câmera quebrada, o único que tem uma expressão diferente segura uma câmera junto ao olho; ter uma câmera transformou a pessoa em algo ativo. Algo digno de ser ver, igualados pela câmera, espécie de imortalidade. O mundo-imagem, que promete sobreviver em todos nós. Ato de não intervenção, escolher entre uma foto e uma vida, alguém em perpétuo movimento, agir sobre aquilo que vê, usar uma câmera é ainda uma forma de participação, posto de observação, ato de fotografar, estimular o que estiver acontecendo a continuar acontecer. Pensar fotografia como maldade, a câmera não estupra, nem mesmo possuem, embora possa atrever-se, intrometer-se, atravessar, distorcer, explorar e no extremo da metáfora assassinar. Câmera como falo. È só mirar, focalizar e disparar arma de raios, arma predatória, mais automatizada possível, pronta para disparar, não requer nenhuma habilidade. Não como realmente existe mais como aquilo que eu realmente percebo.
Desvelamento.

Todo retrato de outra pessoa é um auto-retrato do fotografo. Auto-descoberta por meio da câmera, paisagens interiores. Oito variedades de visão: abstrata, exata, rápida, lenta, intensificada, penetrante, simultânea e distorcida. Um instrumento de amor e de revelação.
A realidade passou cada vez mais a se parecer com aquilo que as câmeras nos mostram.

“Parecia um filme”

Objetivo: Estabelecer troca com os participantes do Agudos Masculino e investigar possibilidades para os personagens Aquiles e Ulisses com base na cena 1 do roteiro.
Materiais utilizados: Livros, câmera fotográfica, filmadora, papel e giz de cera.

Procedimento pedagógico criado a partir da referência: Está atividade foi dividida em duas etapas:

1. Com os integrantes do Núcleo. Foi pedido para que cada ator escolhesse um figurino, fomos para o banheiro do convívio antigo, no chão estavam dispostos livros de cinema e vídeo, máquinas fotográficas e filmadoras em condições de uso e também outras quebradas.
Instrução 1: aquecer o corpo, no espaço e relacionar-se com os objetos.
Instrução 2: cada um com uma máquina fotográfica consumir a imagem do outro.
Instrução 3: Pare, tire uma foto e vai em frente.
Instrução 4: Traga para o seu corpo a sensação que você quer provocar no outro.
Instrução 5: Dê ao outro uma experiência visual. Este estímulo deve ser direcionado para um ator em específico. Para que este possa propor imagens para os outros. È importante que haja um tempo de exposição que gere ou não algum desconforto.
Instrução 6: Quem segura a câmera tudo pode. Este estímulo dialóga com a instrução anterior.
O exercício termina quando todos receberem a Instrução 5.

2. Sob o ponto de vista do personagem Ulisses
Após o aquecimento, o grupo foi até o prédio Agudos – Masculino, mas teve sua entrada impedida, pois alguns enfermeiros responsáveis não estavam cientes do trabalho do Núcleo de Vídeo naquele dia. Após esclarecimento com a coordenadoria do Hospital, o núcleo entrou no prédio. A instrução era perguntar se pode tirar uma foto-retrato da pessoa encontrada. Oferecer a pessoa o material e perguntar se ela quer te fotografar também, nos baseando no conceito de “cada retrato é um autro-retrato/cada paisagem é uma paisagem interior” de Sontag, realizamos uma série de desenhos e retratos dos pacientes, deles de nós e dos enfermeiros.
Após esse encontro, tomamos duas providências para encontros seguinte: passamos a marcar com antecipação com os responsáveis pelos locais onde aconteceriam os encontros; e o aquecimento também passou a ser feito junto com os moradores e pacientes.
Ocorreu a troca das fotos-retrato entre os participantes deste núcleo. E foi levada para a Cena 1, a proposta dos corpos tóxicos terem uma câmera em mãos e tirar fotos do público. Cena apresentada em ensaio aberto.

3º Encontro

Referência teórica: “Maquina de Imagens: Uma questão de Linha Geral”, capítulo do livro Cinema, Vídeo, Godard, de Philippe Dubois
Referência Roteiro: Cena 3
Coordenação: Gabriel
Local: Agudos – Masculino

Cinema, vídeo, Godard. Philippe Dubois

Dubois propõe que reflitamos sobre uma cena magistral, que mostra o dispositivo cenográfico montado por Godard em “scénario du film passion”, 1982: o próprio cinevideasta aparece à mesa de edição, sozinho, cercado pelas maquinas e diante da tela inicialmente em branco. Logo, as imagens “ virão pouco a pouco se inscrever, lentamente, em ondas, como se emergissem do fundo do pensamento em ação sobrepostas ao seu próprio corpo de sombra que habita o laboratório”.
A cenografia de “scénario” é uma representação contemporânea do escritório do filósofo. O pensador de agora já não se senta mais à sua escrivaninha, diante de seus livros, para dar forma a seu pensamento, mas constrói as suas idéias manejando instrumentos novos – a câmera, a ilha de edição, o computador -, invocando ainda outros suportes de pensamento: sua coleção de fotos, filmes, vídeos, discos – sua midioteca, em fim.

Trecho do filme – História do cinema de Godard

Um dos objetivos do ensaio foi aprofundar a interação com os pacientes internados no prédio Agudos – Masculino iniciada na semana anterior. Para isso, a partir do conceito de Dubois, que trata da “evolução” das formas de representação imagética: pintura-fotografia-cinema-televisão-vídeo), tentamos “evoluir” da mesma forma o modo de representação do grupo em relação aos pacientes do Agudos – Masculino.
Começamos o aquecimento do lado de fora do Agudos (sempre à vista dos pacientes), nos apresentando através da filmadora para nós mesmos, depois para os demais atores, posteriormente para os pacientes. Após, entramos no prédio e na área de convívio comum e passamos a nos apresentar a eles como atores, depois como personagens, até que, ao fim, nos apresentávamos a eles como pessoas que assistiam a apresentação que eles mesmos faziam de si para nós. Cada vez mais complexo e sempre intermediado pela filmadora, o aquecimento (do lado de fora do prédio) evoluiu para exercício prático (dentro) e, finalmente, para propostas de cenas, praticamente sem interrupções.

Dentre as propostas de cena mais marcantes desse ensaio, fizemos questão de retomar em ensaios posteriores com o restante da II Trupe de Choque:
Fizemos o aquecimento do lado de fora do Agudos, o que nos aproximou de lá, mas, ao mesmo tempo, afirmou nossa distância antes de entrarmos. Assim, a sensação de entrada é sempre algo novo, uma energia nova e rica, para nós e para os pacientes.
A estranheza que atores e pacientes tiveram para representar conceitos trabalhados como “virtualidade”, “conexão”, “estar plugado”, gerou soluções criativas e inesperadas de reproduzir tais conceitos apenas através da movimentação corporal, sem qualquer elemento tecnológico.

Outro ponto importante é o poder simbólico que a filmadora possui naquele local entre os pacientes. A estranha presença da filmadora pareceu deixar os pacientes literalmente “deslumbrados” com o novo objeto. A repentina atenção e fascinação foram assimiladas pelos atores participantes como forma de estímulo/coordenação ativa, gerando cenas, das quais os pacientes participaram, nas quais o “objeto capaz de capturar imagens” era louvado. Uma frase marcante desse dia foi “Aqui está a força. Aqui é a máquina de Deus”.

Outra imagem que começou a ser desenvolvida nesse dia e, posteriormente, virou conceito e figurino da personagem Penélope, foi quando o ator passou a representar com um livro grudado ao rosto, como uma máscara.
Outro momento importante, ao qual retornamos em diversas conversas posteriores e contribuiu como referência de coordenação os núcleos e representação para o espetáculo, foi quando: um dos atores contracenava com um paciente que lhe dizia: “Fique parado, você está preso!”; o acuado personagem do ator, com as mãos para o alto, como se pedisse socorro, se submetia e se justificava: “Não faça isso, eu sou apenas uma imagem”. Ao ver essa cena, outro paciente acreditou tratar-se de um briga real (e não de um jogo teatral) e foi violentamente participar da “briga”. O ator se viu obrigado a “sair” de seu personagem, provar que se tratava de uma encenação, e ainda “voltar” para seu personagem (para que a improvisação não se perdesse).

Após a discussão sobre esse fato, notamos como nossos personagens são frágeis diante do imprevisível inerente de realidades como a do Hospital Psiquiátrico. A partir de então ficou mais clara a necessidade de estar constantemente preparado para realizar o “salto” entre personagem e ator, conforme a necessidade, e, dessa forma, criamos um terceiro personagem “síntese”, composto igualmente por ficção e realidade.

4º Encontro

Referência teórica: “Tempo, Ritmo e Montagem” e “O tempo impresso”, capítulos do livro Esculpir o Tempo, e filmes O espelho, O Sacrifício, Solaris e Stalker, de Tarkovski,
Referência Roteiro: Cena 5
Coordenação: Mônica
Local: Convívio

No mês de março, foi investigado o Cinema de Andrey Tarkovski (1932 – 1986). O encontro teve como espaço, o Convívio, local de moradia de parte dos pacientes do Pinel. As atividades tiveram como foco o ‘Tempo’ explorado por Tarkoviski em seus filmes. Tivemos como referencia teórico o livro Esculpir o Tempo, tendo o aprofundamento no texto, ‘Tempo, Ritmo e Montagem’ e ‘O tempo Impresso’.

Comentário de tarkovisky em seu filme Andrei Rublev

[...] “Junto à metade que restou da iconóstase queimada, em meio aos cadáveres, está Andrei, de joelhos. É difícil reconhecê-lo. O olhar vazio de seus olhos encovados desliza pelo espaço, sem fixar-se em nada e sem nada notar… Parece que ele estava prestes a rezar, mas súbito esqueceu-se não somente da oração, como também de todas e quaisquer palavras. Ele está de joelhos, imobilizado e alheio a tudo, como um surdo-mudo de nascença que, de uma hora para outra, perde a visão – o único sentido que lhe restara.” [...] Tarkovski


ANDREI TARKOVSKY – IN MEMORIAM
Enviado por MisterNatural. – Temporadas completas e episódios inteiros online

Objetivo: Como perceber e captar o tempo expresso em um espaço. Explorar a força das imagens.

“A imagem é uma impressão da verdade, um vislumbre da verdade que nos é permitido em nossa cegueira. A imagem concretizada será fiel quando suas articulações forem nitidamente a expressão da verdade, quando a tornarem únicas e singulares – como a própria vida é (….)” (Tarkovski)

Depoimento da coordenadora:
“Parti de uma hipótese/dúvida: Poderia um exercício que trabalhasse a percepção do ritmo do corpo dos participantes e do tempo/ritmo externo ao corpo dos participantes tornar a captação mais sensível/atenta ao ritmo e ao tempo? Segundo Andrei Tarkovski o fluxo do tempo registrado é o que o diretor precisa captar nas peças (imagens) que tem diante de si. No final do 4º encontro, cenas foram apresentadas e no do 5º, as cenas foram propostas pelos atores por meio de captação de imagens. As imagens captadas tinham um ritmo muito diferente do que havíamos produzido até então.”

Vídeo realizado pelo núcleo, a partir dos ensaios de Tarkovisky
Tempo, ritmo e montagem


VIDEO – TEMPO, RITMO E MONTAGEM 13´25
Enviado por TEATROEVIDEO. – Videos Independentes

Após a continuidade do trabalho realizado no encontro anterior, houve a criação de dois vídeos experimentais para o processo. “Tempo, Ritmo e Montagem – 4º Encontro”, e “O tempo impresso – 5º Encontro”

5º Encontro
Referência teórica: “O tempo impresso”, capítulos do livro Esculpir o Tempo, e filmes O espelho, O Sacrifício, Solaris e Stalker, de Tarcoviski,
Referência Roteiro: Cena 5
Coordenação: Ricardo
Local: Convívio

Cena do filme Stalker

Procedimento pedagógico: No meio da semana editamos e assistimos ao vídeo-ensaio produzido no encontro anterior, e discutimos sobre a referencia.
“No texto do Tarkovski que fala dessa temporalidade ele é meio radical, ele coloca o ritmo pra lá da montagem, como se ele pensasse um tempo inerente a seqüência de quadros independente dos cortes.” Comentário feito em conversa realizada no núcleo anterior.

1° Etapa: Espaço convívio antigo. Escolher e separar materiais para montar uma instalação no convívio.
Escolhido os materiais os atores colocam mp3 nos ouvidos e começam a fazer um aquecimento livre, tendo como objetivo preparar-se para uma atividade, revisar os materiais que serão utilizados na instalação. Neste momento o coordenador lê um fluxo de referencias e estímulos para o ensaio, este fluxo é recebido de forma parcial pelos atores, pois estes aquecem ouvindo musicas de seus mp3 .

Materiais utilizados: Câmera de segurança, TV, filmadora, megafone,figurino, mp3, extensão, benjamim e cabo longo de vídeo.
Ulisses traz coisas que ele acha importante.
Resgatar do passado aquilo que pode ser salvo para o futuro.
Acumular seu corpo de memórias
Dois caminhos. Consciência
Traga para o seu corpo a sensação que você quer provocar no outro.
Personagem passa por dois caminhos e escolhe um.
De ao outro uma experiência visual
Partitura de fotos. Pare. tire uma foto e vá em frente.
Investigar o lugar, investigar o corpo.
Distancia do olhar, diversidade de olhares.
Objetos
Todo retrato de outra pessoa é um auto-retrato do fotógrafo
Alimente os olhos do outro.
Traduzir visualmente
Múltiplo foco do ator, um ator para vários públicos, foco fixo.
Projetar a sua imagem, trabalhar com o foco de cada pessoa.
Produção de valor através do olhar.
Nosso tema não é sobre loucura, nosso tema é o diálogo com o outro.
Permitir que o outro se expressasse.
Relacionar-se a partir de imagens apenas.
Você subverte o espaço, o espaço subverte seu corpo.
Qual leitura você faz do outro? Mostre com o seu corpo.
Trabalhe para ser imagem.
Variedades de visão: Abstrata, exata, rápida, lenta, intensificada, penetrante, simultânea distorcida.
Consumir a imagem do outro.
Usar a câmera como instrumento de poder.
Pensar fotografia como maldade.
Propor movimentos para mostrar que o corpo esta vivo.
2° Etapa: Agora já fora do convívio o coordenador propõe estímulos utilizados no encontro anterior, com objetivo de aprofundá-los.
Explorar o corpo no espaço, estado da sua pessoa, batimento cardíaco, respiração, temperatura e sentidos.

“Quando eu estava encenando lá fora, quando eu estava ensaiando lá fora, a Mônica disse pra mim que eu tinha que pensar nos meus sentidos, pensar no meu tato, pensar na minha respiração, pensar na minha visão, pensar nos meus sentidos, pensar em tudo aquilo que eu pego de fora, em tudo aquilo que eu internalizo, mas eu comecei a olhar e vi que aquilo era só metade do que eu realmente estava fazendo naquele lugar e eu percebi, eu pensei, eu acho, eu talvez esteja errado, mas isso não importa que existem os outros sentidos que são os sentidos internos, os sentidos que sentem aquilo e exteriorizam aquilo que está dentro da gente e um dos sentidos internos são esses que eu estou usando neste momento, interno esse que expressa de uma forma mais repentina ,mais fluida possível aquilo que esta passando dentro da minha cabeça, aquilo que esta passando, dentro do que eu estou sentindo, um fluxo contínuo de voz, da mesma forma que agente tem um fluxo contínuo de visão, da mesma forma que a nossa visão também é um sentido interno, a partir do momento que agente capta que agente escolhe o momento agente pega a câmera, e agente consegue tornar objetivo aquilo que agente ta sentindo internamente, que supostamente seria incomunicável, a escolha da câmera, a escolha do fluxo interno de vozes, a escolha da nossa postura, tudo isso é a comunicação que agente tenta procurar a todo momento…..” Trecho de texto criado em vídeo proposto no encontro passado.

3° Etapa: Entrar no convívio novo, montar as três instalações, “Nosso tema não é sobre loucura, nosso tema é o diálogo com o outro. (referente ao material escolhido no início do ensaio), percorrer as três e experimentá-las.

“ Pela primeira vez na história das artes, na história da cultura o homem descobria um modo de registrar uma impressão do tempo, surgia simultâneamente a possibilidade de reproduzir na tela esse tempo e de faze-lo quantas vezes se desejasse, de repeti-lo e retornar a ele,concstara-se uma matriz do tempo real.” Tarkovski. Trecho narrado no vídeo do encontro anterior.

Trechos do filme Solaris de Tarkovisky

Uma das instalações passava as imagens da semana passada, a outra em corredor tinha uma câmera de segurança ligada um cabo longo de vídeo, ligada em uma tv dentro de uma sala e a terceira era um megafone em cima de uma mesa.
Memória, troca.

4° Etapa: Apresentar cena ou vídeo a partir da vivência utilizando a instalação proposta.
Labirinto – O hipertexto se compõe de texto fragmento de texto, imagens e sons interligados. Construção da (materialidade) virtualidade real, em que a própria realidade, ou seja, a experiência simbólica, (material das pessoas) inteiramente capitada, imersa em uma composição de imagens virtuais na qual as aparências se transformam nas experiências, vivência.
Foram apresentadas duas propostas, ambas utilizando o vídeo, o público dentro da sala assistindo uma tv; um ator fora da sala com uma câmera de segurança propondo imagens, a outra foi um vídeo proposto por outro ator, a câmera sempre presente passando pela mão dos participantes, criando em cima da percepção criada, colheu imagens e foi feito um segundo vídeo com as imagens desse encontro, os moradores interagiram com as três instalações, este ensaio tinha como objetivo, ser de forma aberta, de modo que os atores, pudessem fazer escolha, eu como coordenador tentei abrir o ensaio de modo que eu pudesse experimentar formas de perceber o tempo.

Cena final do filme Stalker, de Tarkovisky

6º e 7º Encontros
Referência teórica: “Uma inesperada Junção”, do livro O Sentido do Filme, e o filme A Greve, de Eisenstein
Referência Roteiro: Cena 5
Coordenação: Marcelo / Ricardo
Local: Convívio

Para Eisenstein, o que diferencia o cinema das outras artes, é a “Montagem” Eisenstein trouxe para o cinema uma nova forma de compreender uma mensagem, mesmo sendo apresentado em fragmentos, um modo de contar historia projetado na linearalidade temporal. O que nomeou de justaposição de dois fotogramas, ou seja, dois planos independentes, filmados em separado e em momentos e lugares diferentes e distantes, são unidos na montagem e projetado em seqüencia

Trechos do filme A greve, de Eisenstein

A proposta de ensaio surgiu a partir de uma conversa iniciada no Núcleo de Teatro e Artes Plásticas, sobre o formato do núcleo e como recepcionar os novos participantes. Foram organizadas e utilizadas imagens de jornadas cênicas, feitas pelos atores, em propostas para cena 5 do roteiro. A partir dessas imagens foram realizadas versões de vídeos para que os atores pudessem improvisar em diálogo direto com essas imagens, sendo experimentada com a narração da cena 5 do roteiro, o que modifica o sentido e o tempo das imagens.
Outra gravação foi feita do exercício descrito acima, sendo captada por outra filmadora, com novo áudio, regravado e trocado, gerando um acúmulo de imagem-tempo que transformou os fragmentos captados em um novo tempo, criando a montagem no momento da captura das imagens, e não na linha de montagem como de costume.

Outro foco da proposta da montagem, como estrutura, foram as instalações, onde se propôs uma vídeo instalação no espaço da atividade, sendo usado seis telas de diferentes tamanhos( tvs ,aparelho de dvd portátil e display de câmera) passando imagens ao mesmo tempo, de vídeos do processo do grupo, da cena proposta para ser investigada no dia, o filme Encouraçado Potemkin do Eisenstein e vídeos de divulgação.
Procedimento pedagógico utilizado:

1. Assistir vídeo criado pelo núcleo (este vídeo foi enviado junto com o projeto do fomento) A proposta é ter uma conversa partindo do vídeo, falar sobre o projeto, o grupo, os núcleos e o núcleo de vídeo.Faz parte do exercíci que todos deêm um ponto de vista.
2. Ler sinopse do roteiro, com a instrução de quem não estivaer lendo, acompanhar a leitura observando as imagens. Após os participantes trocam impressões sobre a escrita acumulada.
3. Partindo da instalação proposta conversar sobre o tema.
4. Aquecimento corporal
5. Os atores recebem trecho do texto e experimentam formas de improvisar utilizando texto e as imagens da cena proposta.

No 7º Encontro, a mesma dinâmica se repetiu, desta vez, com a inserção das imagens capturadas no encontro anterior.

Como fechamento dos dois ensaios, houve uma conversa inicial, na qual se detalhou o processo de construção e criação do grupo (por solicitação de novos participantes), criando outra montagem no ato da conversa com as imagens transmitidas do processo nos televisores ao redor do grupo. Em seguida assistimos a um vídeo de divulgação do projeto. Em seguida, para aprofundamento do tema, usamos a sinopse do roteiro, onde cada um dos participantes narrou um trecho e em seguida comentou suas impressões sobre o tema, a relação com as referências, as instalações, os exercícios as formas possíveis de retrabalhá-las no espetáculo.

8º Encontro
Referência teórica: Dois primeiros ensaios do livro A Forma do Filme, de Sergei Eisenstein e o filme A greve, de Eisenstein
Referência Roteiro: Cena 1, 3 e 5.
Coordenação: Gabriel
Local: Convívio

Trecho do filme O encouraçado Potemkin (1925) Eisenstein

A partir da discussão sobre formação/sujeição de sentido por meio de seqüenciamento de imagens proposta por Eisenstein, o objetivo desse ensaio foi familiarizar todos os integrantes do núcleo de vídeo com os softwares de edição de imagem (Adobe Premiere, no caso), por meio de atividades práticas.

Após um breve aquecimento, o grupo foi dividido em duas partes: enquanto uma metade registrava em vídeo improvisações baseadas nas cenas do roteiro, a outra “improvisava” edições dos registros das mesmas cenas gravados em ensaios anteriores. A partir daí, membros dessas duas metades revezavam trabalhos para que todos propusessem registros de cena e edições de imagens.
Além do aprendizado técnico, o objetivo era fazer com que os atores se alternassem e visitassem as mesmas cenas de diferentes formas, pela novidade/improvisação e pela rememoração/edição.
A principal dificuldade nesse dia foi constatar o grande tempo necessário para todos os integrantes do núcleo de vídeo alcançassem um nível avançado na manipulação dos softwares de edição.
A partir desse dia, o trabalho de aprendizagem/uso dos softwares de edição passou a também ser realizado individualmente fora do horário de núcleo de pesquisa.

9º Encontro

Referência teórica: Dois primeiros ensaios do livro, A Forma do Filme, de Sergei Eisenstein, e o filme A greve
Referência Roteiro: Cenas 3 e 5
Coordenação: Ricardo/ Marcelo
Local: Convívio e outros espaços

trechos do filme O encouraçado Potemkin, de Eisenstein

Dando-se continuidade ao tema “montagem” a partir da referência Eisenstein, iniciou-se o aquecimento a partir de um vídeo-compilação de 15 minutos com imagens dos encontros anteriores sobre o mesmo tema.
O objetivo do encontro foi expandir (através do registro áudio visual) o acúmulo das diferentes fases do processo de pesquisa: leitura, preparação de ensaio, referências, ensaios, primeiras propostas, propostas retrabalhadas nas semanas seguintes, todas as fases acumuladas de forma tal que a exposição do processo de produção de uma cena pudesse estar na superfície da cena final apresentada.

Antes de atingir essa fase final, foi proposto um último processo de captura: cada ator com uma filmadora e portando um mp3 (com registros em áudio das narrações anteriores) teriam a “tarefa” de expandir o Núcleo de Vídeo para os Núcleos de Fotografia e Música. Foi orientada também a forma de captação das imagens: sendo usado um fone de ouvido do mp3, fixado no microfone da câmera, e o outro no ouvido de quem captava, o que faz que o áudio do mp3 seja captado ao mesmo tempo em que a imagem escolhida.
Dessa, a própria estruturação do grupo, em sua divisão de trabalho interna, poderia ter sua significação explorada, através do processo de montagem, nas cenas prontas do espetáculo.

Vídeo realizado pelo núcleo, a partir dos encontros de Eisenstein

Com o acumulo de pequenos episódios do processo criativo do grupo, o vídeo reinventa suas próprias imagens, em uma fragmentação de imagens já usadas em outros vídeos, sendo (re) significadas em outro contexto e outro formato que sofre interrupções e retomadas

10º 11º e 12º Encontros

Referência teórica: filme Os Fuzis, de Ruy Guerra, e o ensaio “O cinema e os Fuzis”, de Roberto Schwarz
Coordenação: Marcelo
Local: Parte de trás do Hospital

No dia da atividade, assistimos a trechos do filme Os Fuzis, de Ruy Guerra, e fizemos a leitura do ensaio “O cinema e os Fuzis”, de Roberto Schwarz. Após isso, enquanto assistíamos a trechos pré-selecionados de ensaios do grupo e de núcleos anteriores, discutíamos formas de aplicar a estrutura dividida e complementar do filme de Guerra em nosso espetáculo, a partir dos apontamentos de Schwarz sobre a relação entre forma do filme e História social. Ficou combinado trazermos propostas para o encontro seguinte.

OS FUZIS

Cada ator trouxe também uma narração própria feita durante a semana inspirada pelos 10 minutos iniciais de Os Fuzis (que, com o texto em ‘off’, anuncia a maldição de Deus, através do sol). O filme se passa em 1963, no Nordeste, região sob o domínio dos coronéis, com influência da igreja e dos profetas que percorrem seus vilarejos.
Um dos objetivos do ensaio era causar no imaginário dos participantes, sensações que aproximassem da sede e da fome, a partir de estímulos visuais, verbais, corporais.

O encontro foi realizado nos fundos do Hospital Pinel, é hoje um local de extremo abandono e degradado pelo tempo. Nesse espaço, instalamos projetores, televisão, aparelho de DVD, refletores e cartazes contendo fotografias, ilustrações, frases e histórias dos personagens do nordeste, deixando à disponibilidade dos participantes um cenário de acúmulo de memórias: dos atores, dos personagens da peça e das pessoas documentadas pelo filme de Ruy Guerra. Durante o ensaio: na televisão, rodamos Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, que se passa na mesma região. Em outra instalação, usamos o projetor, em que assistimos Os Fuzis e os “infernos” de Ulisses, trazidos por cada ator.

Durante o aquecimento, iniciado de forma lenta, houve muita observação do espaço e desenvolvimento de ação interna. Além dos estímulos visuais, houve também os sonoros que remetessem aos universos verossímeis e esteriotipados do cangaço.
“De baixo do chivão de couro dos cangaceiros. Sempre havia um coração que teimava em pulsar, sentir e se expandir em cantigas de amor. O bakutinho ao que o cantor se refere, é a flor que ferrece e morre, sem dar frutos”.
Durante a música os participantes percorrem em busca de diálogo com o espaço. Tem-se a observação intensa nas figuras, movimentações e frases espelhadas.

“Na cantiga seguinte o grupo vai pra missa, que é um jeito de dizer que vai pra luta. Os batedores que corre na frente do grupo, vigiando o caminho, são dois cães adestrados, Sereno e Gigante. Cujo faro denuncia a aproximação da polícia. Na linguagem dos bandoleiros, a presença dos macacos.”

A câmera foi utilizada a todo o momento, pois fazia parte do cenário pluralizado entre Trupe/Vídeo/Cangaço. Então, cada elemento desse cenário foi sendo suspenso alternadamente, permitindo compreender a dinâmica do aparente caos de memórias dispersas. Por exemplo: a música e imagens que remetessem ao cangaço eram “interrompidas”; depois, a movimentação e presença dos atores; depois, a interação como “proposta de ensaio”.

Muitas partituras e falas incorporadas nas improvisações ao fim do ensaio:
- A câmera até agora em movimento, pára. Enquadra uma das instalações. O áudio da canção pára. Silêncio. A câmera volta em movimento, vagueia e capta o que viria mais tarde a ser uma das primeiras partituras usadas nas apresentações das cenas.
- O movimento rápido e em circulo foi bastante explorado, usando sempre as mãos e os braços como escudos e nunca de costa para o outro. Observa-se aqui o início de criação de um dos personagens.
- Outro participante, parado em frente à televisão, em pequenos movimentos, dava passos e não saia do lugar. Seu rosto meio entristecido, meio alegre. Completamente fora daquele espaço.
- “Agradeça a deus a tua fome; agradeça a deus a tua sede; agradeça a deus a tua dor”

Vídeo realizado pelo núcleo, a partir do ensaio de Os Fuzis


Os Fuzis
Enviado por TEATROEVIDEO. – Temporadas completas e episódios inteiros online

Após o ensaio, a cena foi reapresentada aos outros Núcleos no fim do dia. Acreditamos ter avançado na pesquisa, pois conseguimos alcançar duas propostas inspiradas pela leitura do ensaio de Schwarz: revelar a fratura de algumas formas de representação por meio de sua recombinação fragmentada; e explorar o esteriótipo ao seu próprio limite, fazendo com que ele revele o contrário do que se propõe a princípio.

13º Encontros
Referência teórica: texto “A Televisão”, de Eugênio Bucci e o filme Além do Cidadão Kane, de Simon Hartog
Local: Convívio.

“Não é mais a democracia que administra o espetáculo mas o espetáculo que dá os termos da democracia”.

14º Encontro

O encontro teve como referência teórica o texto “A Televisão” de Eugênio Bucci. Assistimos e discutimos o filme, Além do Cidadão Kane. Após a exibição foi discutido modos de trazer conceitos de potencialidade midiática para a composição e estruturação das cenas. Ficou planejado para a semana seguinte a proposição de cenas a partir do texto, do filme e da discussão.

14º Encontro

Referência teórica: texto “A Televisão”, de Eugênio Bucci e o filme Além do Cidadão Kane, de Simon Hartog
Coordenação: Anderson/Ricardo
Local: Agudos – Feminino

Conforme planejado no 13º Encontro, houve a continuação do tema “A Televisão” de Eugenio Bucci.

Neste encontro, o aquecimento iniciou-se a partir de estímulo visual de diferentes figurinos do espetáculo, que foram disponibilizados para atores e moradores. A partir daí, houve indicações que remetessem a “construção” e a “descontrução”, a partir do corpo do ator/morador e de seus figurinos. “Coloquem figurinos de construção e de desconstrução. Se olhem. A minha imagem constrói/destrói o outro. O meu desejo constrói/destrói o outro. Como eu construo o outro/destruo o outro? O meu fetiche aniquila o outro.” Após o aquecimento, houve a apresentação das cenas, a improvisação feita pelo moradores com auxílio de projetor, pintura, microfone e caixas de som.

Um ponto negativo do ensaio foi percebermos, em discussão posterior ao encontro do dia 30, foi que a coordenação individual de um grupo tão heterogêneo é insuficiente. A partir daí, decidimos repetir o ensaio “corrigido” no encontro seguinte.

15º Encontro

Neste encontro, a coordenação era assumida alternadamente pelos atores, conforme eles percebecem a dificuldade de comunicação e interação com o restante do grupo. No trabalho coletivo de coordenação planejado durante a semana, ficou evidente a busca da memória do Núcleo, recuperando orientações e imagens já utilizadas em ensaios anteriores.