O Núcleo Peripatético de Teatro e Vídeo tem como objetivo experimentar possíveis intersecções entre a linguagem teatral e o vídeo, relacionadas com as relações de trabalho, tema de pesquisa do grupo. Investigar e disponibilizar a ferramenta audiovisual para atores, moradores do Hospital Psiquiátrico e todos demais participantes dos ensaios. A fim de despertar o interesse para as diversas possibilidades de comunicação a partir do vídeo, explorando novas percepções de conhecer, ouvir e se expressar, criando assim um repertório procedimentos de ensaio, suportes de exibição e banco de dados de imagens a serem usados no espetáculo Corpos Acumulados.
Em linhas gerais, o núcleo experimentou possíveis intersecções entre a linguagem teatral e o vídeo, através de gravação e edição de cenas improvisadas ou planejadas, sendo elaborados semanalmente novos vídeos sobre os temas relacionados a Corpos Acumulados (quase sempre pautado por um roteiro prévio comum aos demais núcleos de pesquisa).
O registro áudio visual dos ensaios da II Trupe (não apenas dos do núcleo de vídeo) também foi bastante importante para a documentação do trabalho dos atores que pode ser sempre revisitado quando necessário, seja visando a reelaboração técnica técnica dialética de cenas e personagens, seja como material de pesquisa para possíveis futuros interessados.
Para sustentação e aprofundamento teórico da linguagem áudio visual e a necessária intersecção com a linguagem teatral, o grupo partiu do estudo das seguintes referências: Roland Barthes (Câmara Clara); Eugênio Bucci (Videologias e tese de doutorado: Televisão Objeto: A Crítica e suas Questões de Método); Phillippe Dubois (Cinema, Vídeo, Godard); Sergei Eisenstein (A Forma do Filme e O Sentido do Filme); Arlindo Machado (Made in Brasil – Três Décadas do Vídeo Brasileiro); Glauber Rocha (Cartas ao Mundo e Revolução do Cinema Novo); Susan Sontag (Sobre Fotografia); Andrei Tarkovski (Esculpir o Tempo)
Exploramos uma tentativa de troca ou de diálogo, um exercício de polifonia que permita a multiplicidade de vozes. Documentário, videoclipe e videoexperimental, linguagens híbridas, códigos polifônicos e meios diversos estão sendo explorados e são elementos dessa criação
TRAILER – Corpos Acumulados
Processo de Criação
Como tema do projeto, o grupo elegeu as relações de trabalho contemporâneas, partindo da hipótese de que o corpo humano, suas formas, desejos, órgãos, tecidos e líquidos, é fonte de geração do valor, isto é, célula constituidora da sociedade da mercadoria. A tríade tempo, espaço e corpo será aqui desenvolvida a partir de uma estrutura narrativa inspirada em uma notícia de jornal: a transformação de um antigo forte militar em um shopping center, no interior do Amazonas
O conceito que regeu o espetáculo, o da duplicação infinita e labiríntica da forma mercadoria, estabeleceu como princípio para a dualidade do espetáculo (que reproduz as contradições da sociedade brasileira) o de que a peça em cada cada espaço é outra e mesma sumultaneamente. Corpos Acumulados é igual e distinto de si mesmo nos dois espaços
Infelizmente, a partir do segundo semestre de 2009 inviabilizou-se a estada da Trupe na Usina, com o espetáculo passando a ser realizado completamente no espaço do Pinel
Foram realizados no Pinel, de maio de 2008 a julho de 2009, os Núcleos de: Teatro e Literatura, Teatro e Música, Teatro e vídeo, Teatro e fotografia, Teatro e interpretação polifônica, Teatro e Artes Plásticas, Teatro e tecnologia
Os Núcleos Peripatéticos tiveram como objetivo principal fazer com que seus participantes, de forma lúdica e sensível, refletissem e atuassem criativamente sobre conteúdos relacionados à realidade social. Reflexão entendida aqui como retomar o próprio pensamento, pensar o já pensado, voltar para si mesmo e colocar em questão o que já se conhece
Nucleo de Teatro e Video
O método de exercícios investigado pelo Núcleo de teatro e Vídeo propõem uma rotatividade nas coordenações das atividades a cada encontro. De modo geral, em cada dia, um responsável pelo planejamento e coordenação da atividade. Ao demais, além de trazerem propostas e as usarem no decorrer do ensaio, cabe a responsabilidade de manter a dinâmica com os demais participantes dos ensaios do núcleo. Assim, quando a coordenação dos encontros obtém sucesso, através de estímulos verbais, corporais, visuais ou de objetos, estabelece-se uma relação com o tempo do espaço de cada um, gerando uma troca de experiências e histórias de vidas
O núcleo experimenta possíveis intersecções entre a linguagem teatral e o vídeo, através de gravação e edição de cenas improvisadas ou planejadas, sendo elaborados semanalmente novos vídeos
O vídeo nasce e se desenvolve numa dupla direção. De um lado, chamamos de vídeo um conjunto de obras semelhantes às do cinema e da televisão, gravadas com câmeras, posteriormentes editadas, em que, ao final do processo, são dadas a ver ao espectador numa tela grande ou pequena. Mas, de outro, vídeo pode ser também um dispositivo: um evento, uma instalação, uma complexa cenográfia de telas, objetos e carpintaria, que implicam o espectador em relações ao mesmo tempo perceptivas, físicas e ativas, abrangendo, portanto muito mais do que aquilo que mostram as telas. Algumas instalações de vídeo já não têm nenhuma imagem prévia (pré-gravada), nenhuma fita magnética com uma “obra’ registrada, nenhum vídeocassete para “rodá-la”: há nelas apenas um circuito fechado, em que o espectador, ao deixar-se incorporar ao dispositivo, vê a sua própria imagem desdobrar-se no espaço perceptivo
O vídeo é o lugar da fragmentação, da edição, do descentramento, do desequilibrio da polifonia, (heterogeneidade estrutural do espaço), da velocidade, da dissolução do sujeito, da abstração (não-figurativismo). O vídeo revela a realidade e que pelo registro do que é e acontece, constitui uma forma de pensamento e reflexão da realidade concreta daqueles que a vivem. Muitas formas de comunicação extrapolam a realidade, exagerando coisas normalmente aceitas ou simplesmente criando novas formas de se perceber esta realidade. Compreender as ações no campo da imagem em movimento, como a imagem nos possibilita o uso da tecnologia audiovisual, gerando novas propostas de criação, crítica e comportamento
ENSAIO EISENSTEIN
Para Eisenstein, o que diferencia o cinema das outras artes, é a “Montagem” Eisenstein trouxe para o cinema uma nova forma de compreender uma mensagem, mesmo sendo apresentada em fragmentos, um modo de contar historia projetado na linearalidade temporal. O que nomeou de justaposição de dois fotogramas, ou seja, dois planos independentes, filmados em separado e em momentos e lugares diferentes e distantes, são unidos na montagem e projetado em seqüencia. Com o acumulo de pequenos episódios do processo criativo do grupo, o vídeo reinventa suas próprias imagens, em uma fragmentação de imagens já usadas em outros vídeos, sendo (re) significadas em outro contexto e outro formato que sofre interrupções e retomadas
Durante o ensaio foram organizadas e utilizadas imagens de jornadas cênicas (ensaio) feitas pelos atores. A partir dessas imagens foram realizadas versões de vídeos para que os atores pudessem improvisar em diálogo direto com essas imagens, sendo experimentada com a narração do roteiro, o que modifica o sentido e o tempo das imagens.
Outra gravação foi feita do exercício descrito acima, sendo captada por outra filmadora, com novo áudio, regravado e trocado, gerando um acúmulo de imagem-tempo que transformou os fragmentos captados em um novo tempo, criando a montagem no momento da captura das imagens, e não na linha de montagem.
Outro foco da proposta da montagem, como estrutura, foram as instalações, onde se propôs uma vídeo instalação no espaço da atividade, sendo usado seis telas de diferentes tamanhos( tvs, aparelho de dvds portátil e display de câmera) passando imagens ao mesmo tempo, do processo de criação do grupo, da cena proposta para ser investigada no dia, o filme Encouraçado Potemkin do Eisenstein e vídeos de investigação e divulgação do grupo
Houve uma conversa inicial, na qual se detalhou o processo de construção e criação do grupo, criando outra montagem no ato da conversa com as imagens transmitidas do processo nos televisores ao redor do grupo. Em seguida assistimos a um vídeo de divulgação do projeto. Para aprofundamento do tema, usamos a sinopse do roteiro, onde cada um dos participantes narrou um trecho após comentou suas impressões sobre o tema, a relação com as referências, as instalações, os exercícios as formas possíveis de retrabalhá-las no espetáculo
ENSAIO Os Fuzis
Vídeo e ensaio se constrói, a partir do filme Os Fuzis, de Rui Guerra. A câmera foi utilizada a todo o momento, durante o ensaio, pois fazia parte do cenário, então, a cada elemento desse cenário foi sendo suspenso alternadamente, permitindo compreender a dinâmica do aparente caos de memórias dispersas
O encontro foi realizado nos fundos do Hospital Pinel, é hoje um local de extremo abandono e degradado pelo tempo. Nesse espaço, instalamos projetores, televisão, aparelho de DVD, refletores e cartazes contendo fotografias, ilustrações, frases e histórias dos personagens do nordeste, deixando à disponibilidade dos participantes um cenário de acúmulo de memórias: dos atores, dos personagens da peça e das pessoas documentadas pelo filme de Ruy Guerra. Durante o ensaio: na televisão, rodamos o filme, Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, que se passa na mesma região. Em outra instalação, usamos o projetor, em que assistimos Os Fuzis
Durante o aquecimento, iniciado de forma lenta, houve muita observação do espaço e desenvolvimento de ação interna. Além dos estímulos visuais, houve também os sonoros que remetessem aos universos verossímeis e estereotipados do cangaço
“De baixo do chivão de couro dos cangaceiros. Sempre havia um coração que teimava em pulsar, sentir e se expandir em cantigas de amor. O bakutinho ao que o cantor se refere, é a flor que ferrece e morre, sem dar frutos”
Durante a música os participantes percorrem em busca de diálogo com o espaço. Tem-se a observação intensa nas figuras, movimentações e frases espelhadas.
“Na cantiga seguinte o grupo vai pra missa, que é um jeito de dizer que vai pra luta. Os batedores que corre na frente do grupo, vigiando o caminho, são dois cães adestrados, Sereno e Gigante. Cujo faro denuncia a aproximação da polícia. Na linguagem dos bandoleiros, a presença dos macacos”
Os Fuzis
Enviado por TEATROEVIDEO. – Temporadas completas e episódios inteiros online
A câmera foi utilizada a todo momento, pois fazia parte do cenário pluralizado entre Trupe/Vídeo/Cangaço. Então, cada elemento desse cenário foi sendo suspenso alternadamente, permitindo compreender a dinâmica do aparente caos de memórias dispersas. Por exemplo: a música e imagens que remetessem ao cangaço eram “interrompidas”; depois, a movimentação e presença dos atores; depois, a interação como “proposta de ensaio”
Muitas partituras e falas incorporadas nas improvisações ao fim do ensaio:
A câmera até agora em movimento, pára. Enquadra uma das instalações. O áudio da canção pára. Silêncio. A câmera volta em movimento, vagueia e capta o que viria mais tarde a ser uma das primeiras partituras usadas nas apresentações das cenas
O movimento rápido e em circulo foi bastante explorado, usando sempre as mãos e os braços como escudos e nunca de costa para o outro. Observa-se aqui o início de criação de um dos personagens
Outro participante, parado em frente à televisão, em pequenos movimentos, dava passos e não saia do lugar. Seu rosto meio entristecido, meio alegre. Completamente fora daquele espaço
“Agradeça a deus a tua fome; agradeça a deus a tua sede; agradeça a deus a tua dor”
ATOR TÉCNICO OU TÉCNICO ATOR?
Pensar pesquisar criar jornada ter percepção e sensibilidade ao montar uma cena ligar os fios procurar pontos de luz e alimentar toda iluminação a partir de materiais alternativos. Luzes frias e incandescentes, alterar sua cor criar dialogo diálogo com a cena, pensar em conceitos de luz que dialogue com a polifonia contida com o universo do espetáculo. Proteger equipamentos aprender na prática construir uma relação juntamente com o grupo fazer refazer resolver problemas, oscilação que causa o blecaute, lanternas acesas e atuar. Exige o dobro de dedicação do coletivo, impossível não ficar triste quando um problema de luz ocorre e nesse momento você não é técnico é o ator que precisa manter segurar a cena. Ouvir propor soluções ser responsável, assumir seus erros, uma escola que se realiza na prática. Documentar caminho através da linguagem do vídeo, revisar materiais. Desenhar mapas visualizar o todo
Descansar?… Nem em pensamento, a cabeça ferve borbulha, criando soluções para os problemas, pensar no platô seguinte, chegar montar, caminhar subir descer e o corpo cansado entra em cena e se enche de energia se realiza sente calas frios a cada apresentação. Transformar a partir das impressões do público, preencher o espaço.
O ator técnico não será necessariamente o melhor ator, mas será alguém que se apropriará com mais naturalidade do conjunto. O ponto de vista surge da vista de diversos pontos: Corpos Acumulados é um trabalho plurivisual, polifônico em todos os sentidos. São anos de multiplicações que não se esgotam em si…
Lido hoje com poucos materiais técnicos em cena. Através de um chaveador controlo as imagens que aparecem no telão da cena da fábrica (platô 2 ). No platô 3 ligo uma TV a uma câmera. Opero essa câmera para frente para trás durante a cena. Ainda no platô 3 conecto um microfone ao seu fio e o uso, ligo uma câmera, ajusto a mesma para que esta envie minha imagem para a quadra, ligo um ponto de luz…
Dialogar com a tecnologia ter um objetivo e um super objetivo ao criar uma luz que completa cada cena. O ator técnico nunca está fora de cena, pois seu exercício começa quando chega no espaço saindo de cena quando guarda o último equipamento
VAGAR ITINERANTE E EXPERIÊNCIA EM CORPOS ACUMULADOS
Ensaio em Devir
A forma apresentada ao público em Corpos Acumuladas procurou ser sempre ENSAIO EM DEVIR. Isto porque o grupo procurou romper com a forma mercadoria, não só nas apresentações gratuitas, mas também com relação ao conceito de produto. Assim, as apresentações constituíram-se sempre através de um formato aberto, que buscava na relação com o público estabelecer um grande processo coletivo de criação
O ensaio em devir Corpos Acumulados procura estabelecer com seu público uma experiência crítica. Além de uma racionalidade cínica, que se estabelece na relação com o público, que não sabe nunca quais as regras do jogo e as leis a que está submetido, estamos lidando com uma tentativa de experiência coletiva.
As relações entre atuantes e platéia, entre a gênese poética e sua performance, entre o texto e sua presentação estão alteradas por esses novos sujeitos da cena: corpos que ganham outro alinhamento, consciências que criam outro tempo cênico, um tempo da espera, do imprevisto, do espontâneo, construções cênicas que propõem a suspensão e a epifania, mecanismos esses que afirmam uma cena – capaz de dar conta das novas espacialidades e temporalidades do capitalismo tardio – sustentada no acontecimento e não na representação, na emancipação e não no ensino
Relato do ator em cena – Na 1ª cena da peça, eu filmo uma cena num espaço (”parquinho”) que é transmitido para o público que está no espaço da “casinha”. O interessante dessa cena é a fronteira (limite) entre estar e não estar em cena. Visualmente eu estou fora de cena, mas o meu olhar não. O meu olhar é mostrado pelo jeito que eu filmo a cena. Se por acaso eu filmo o que não deveria filmar a gravação fica comprometida. É um modo criativo e artístico sobre a cena, não apenas o lado técnico da filmagem.
Uma situação interessante que ocorreu: houve um aquecimento nessa cena mediada pela filmagem.O pessoal do espaço da “casinha” via as instruções dadas pelo diretor no espaço do “parquinho”.Aonde os 2 elencos aqueceram mediados pela filmagem.
Durante a temporada do Experimento 2, houve uma mudança na filmagem para haver um diálogo maior (uma interferência maior) entre os espaços, pois parte do público tinha a sensação de que o vídeo era gravado e não era ao vivo.
O mundo contemporâneo faz com que todos nós estejamos imersos em imagens. A competição comercial, própria do capitalismo, associada às facilidades da imprensa, da fotográfia, do cinema, da televisão e dos computadores, faz com que estejamos mergulhados em um universo, cujo espectro visual é preponderante, inclusive, carregado por mensagens subliminares.
Consome a imagem, consome o desejo de possuí-los.Consome a identificação com o bem, com o ideal de vida que eles supostamente representam.Objetivos imaginários de satisfação do desejo.Fora do discurso,fora da representação,fabricação concreta da alienação.O direito de excluir a maioria.
Transformado em imagem, overdose de angustia, depressão, recuperar a imagem, é quase impossível se estabelecer uma separação clara entre pessoa e imagem.Captura do sujeito pela imagem.O escândalo ,claro, não prejudica em nada sua fama, pois de uma boa pin-up a industria cultural aproveita tudo, transforma tudo em imagem.Até o berro. Consumidores de imagens contemporâneos. Depende também do modo de funcionamento da sociedade em que ele vive. Pequenas quantidades de morte, homens que venderam seu tempo na produção de mercadorias
O dispositivo mais básico do vídeo: o confronto da câmera com o corpo do artista. O trabalho concebido num único plano contínuo, tomado em tempo real trazendo o olhar para dentro da cena, ao mesmo tempo que este olhar vê outra cena, o público que encontra-se no espaço e vêem o ato de olhar. No momento em que a câmera entra em ação, o registro não é apenas uma representação do real, mas sim uma vivencia dialogada com o tempo e espaço presente, passado e futuro
Este video foi sendo criado no decorrer das apresentações do espetáculo, em 2009, tendo a cada nova fase, um novo formato, pois, assim se tornou um fluxo permanente a cada apresentação, sendo construídos vídeos a partir das imagens do espetáculo que estava sendo apresentado naquele dia, sendo entregue uma mídia em dvd, ainda em cena para publico, com imagens do publico
Utilizando câmeras de circuito internos, filmadoras, projetores e monitores, videoinstalações e videoperformance dá-se, uma miscigenação das práticas criativas, nas quais os artistas passam a transitar por meios e suportes menos ortodoxos, como a computer art, a fotografia digital, as instalações interativas e o próprio vídeo, que se transforma numa ferramenta cada vez mais acessível em função de seu extraordinário desenvolvimento tecnológico; processo este que rejeita qualquer tipo de representação totalizadora, deixando patente nas obras as suas próprias dúvidas e a parcialidade de sua intervenção, em mesmo tempo que se interrogam sobre os limites de seu gesto enunciador e sobre a sua capacidade de conhecer realmente o outro
A técnica de escritura múltipla em que texto, vozes, ruídos e imagens simultâneas se combinam e se entrechocam para compor um tecido de rara complexidade, constitui a própria evidência estrutural daquilo que modernamente nos convencionamos chamar de uma estética da saturação, do excesso ( a máxima concentração de informação num mínimo de espaço-tempo) e também da instabilidade (ausência quase absoluta de qualquer integridade estrutural ou de qualquer sistematização temática ou estilística)
Projetar imagens de vídeo sobre paredes texturadas e rugosas, ou ainda sobre chão regular, de modo a perturbar a inteligibilidade das imagens ou corromper a sua coerência figurativa
A ação do vídeo se desenvolve durante a apresentação do espetáculo, tendo a câmera como um objeto de ação dentro das cenas. Em uma delas, o ator ao encontrar com o publico mira-os com uma câmera, como com uma arma, sendo objeto cênico ao mesmo tempo em que registra imagens que constarão no DVD a ser distribuído posteriormente. Em outra cena, o público é fotografado dentro da cena, e ao mesmo instante filmado. Após este processo as imagens capturadas tanto pela câmera fotográfica, quanto pela filmadora, junto ao computador, entram em ação
É o momento de transferir as imagens para o computador e editá-las, para isso foi preciso definir os fragmentos exatos das imagens captadas durante o espetáculo, para então calcular o tempo de processamento em que a montagem seria realizada, tanto da edição, quanto do processo de transcodificação de arquivos das imagens. As imagens filmadas quando fotografadas serão posteriormente usadas nas cenas seguintes, introduzindo as cenas primeiras nas posteriores da mesma forma como se consegue transformar o público em objeto de cena, resignificando-os por meio de tecnologia.
Durante a montagem do vídeo, calcula-se o tempo de edição das fotos e filmagens junto à ‘linha de montagem’ do material pré-editado, em seguida, o tempo para ‘renderizar’ o vídeo (para que o material audiovisual esteja finalizado antes da cena em que será utilizado). Para finalizar, o tempo do processo gasto para a transcodificação do arquivo ‘AVI’, para DVD. Terminado a montagem em DVD, utilizamos uma duplicadora na qual imprime 11 DVDs simultaneamente, o que leva em torno de 5 minutos. Todo este processo é realizado no decorrer do espetáculo
Os DVDs entregue para o público, o espectador, ao assistir ao vídeo, reconstrói mentalmente a mensagem fragmentada da montagem, em paralelo as cenas da apresentação, em alguns casos, um outro texto do roteiro é modificado, o que permite ao espectador criar outros significados. A cada apresentação do espetáculo, o vídeo é modificado, tanto com imagens e fotografias do publico, como por imagens e apresentações de ensaios anteriores
Não se trata se sugerir para o público-espectador, que todo o vídeo foi a apresentação do mesmo dia do espetáculo, mas, explorar novas formas percepções associadas à memória dos ensaios e das demais apresentações, leituras e conexões entre o público participante, o teatro e o vídeo, onde o público ao assistir o vídeo do espetáculo e se ver enquanto sujeito da ação, interação, possa refletir, e se aprofundar nas ligações sutis e muitas vezes inéditas do material trabalhado. Nossas fontes criativas, autônomas, aptas a criar novas sensações, modos de agir, pensar, experimentar o próprio corpo, intensificando e explorando novas possibilidades
Cenascomentadas – Ensaio Em Devir
Ao final das cenas, os convidados disseram, demonstrar, sentir uma “profunda emoção”: “vocês lidam com emoções de fronteira”. Comparou a experiência a uma viagem de alucinação, sentindo intensamente também o espaço do Pinel, carregado de tudo que um hospital psiquiátrico carrega. “O movimento de vocês aqui mobiliza tensões que estão presas aqui, é muito violento. Difícil esquematizar pra ver onde se pode definir e elaborar, mas é de uma sensualidade muito potente. Ainda estou na borda, tentando entender estes tentáculos que estão em volta. É uma experiência limite.”


