Teatro e Tecnologia

Discussões para definição da bibliografia e filmografia básicas. Optamos por pesquisar obras de ficção científica para investigar, de forma teórica e prática, visões que artistas diversos (desde Júlio Verne e Tarkovski até o cinema comercial de Hollywood) tinham sobre o futuro e a interferência da tecnologia na sociedade. Entre a bibliografia básica estavam também estudos e artigos que remetiam a assuntos que desejávamos investigar, como hipertexto, interatividade e imersão. Como bibliografia central, assumimos 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, por serem duas obras que dialogam o tempo todo com o processo de pesquisa dos Corpos por tratar de sociedades administradas por meio da tecnologia – o que remete diretamente ao objetivo central do núcleo, que era investigar o “Centro Rizomático de Almas”. Nesses encontros, definimos que o Núcleo de Teatro e Tecnologia seria composto por encontros práticos e discussões teóricas intercaladas.

Cronograma:

2/3/09 e 9/3/09

Discussões para definição da bibliografia e filmografia básicas. Optamos por pesquisar obras de ficção científica para investigar, de forma teórica e prática, visões que artistas diversos (desde Júlio Verne e Tarkovski até o cinema comercial de Hollywood) tinham sobre o futuro e a interferência da tecnologia na sociedade. Entre a bibliografia básica estavam também estudos e artigos que remetiam a assuntos que desejávamos investigar, como hipertexto, interatividade e imersão. Como bibliografia central, assumimos 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, por serem duas obras que dialogam o tempo todo com o processo de pesquisa dos Corpos por tratar de sociedades administradas por meio da tecnologia – o que remete diretamente ao objetivo central do núcleo, que era investigar o “Centro Rizomático de Almas”. Nesses encontros, definimos que o Núcleo de Teatro e Tecnologia seria composto por encontros práticos e discussões teóricas intercaladas.

16/3/09 e 24/3/09

Imersão
Partindo do tipo de lógica que se estabelece com os games fiéis à linguagem canônica do cinema, decidimos investigar como se dá essa variação da narrativa dentro de um ambiente imersivo. Ao jogar os famosos “games de primeira pessoa”, em que você é o personagem e escolhe pra onde vai, é como se abríssemos a porta para uma outra realidade em que a tecnologia e a ideologia do game são as únicas regras.

A imersão em games só é possível por meio de aparatos tecnológicos complexos, que dão conta de criar realidades ampliadas. Fazer o diálogo dessa linguagem com o teatro criaria um óbvio atrito, visto que o teatro pode prescindir de qualquer aparato tecnológico para existir.
Então, o trabalho do Núcleo de Tecnologia aconteceu em dois encontros (e reverberou nos encontros seguintes e nos ensaios). No primeiro, analisamos o que seria o conceito de imersão, sua história como uma derivação da literatura e do cinema, seus desenvolvimentos recentes nos games e o levantamento de possibilidades do que seriam cenas com essa linguagem.

Na semana seguinte, cada participante do núcleo trouxe imagens de ambientes imersivos que foram projetadas no momento da cena. Como nos games, em que você tem “vidas” e possibilidades de participação, o improviso foi incentivado com a cena que aparecia em determinado momento na projeção. Um ator sozinho, em dupla, em trio, todo o grupo, mas sempre iniciando e parando a improvisação, sem nunca sair de cena.
Como resultado, não forjamos ambientes imersivos na cena, mas estabelecemos outras formas de utilização da projeção de imagens em cena.

31/3/09
O encontro imediatamente após o seminário de Sérgio Amadeu e Edilson Cazeloto abordou uma longa discussão do papel da tecnologia na sociedade contemporânea, como ela interfere na produção de valor e no quanto o avanço do capitalismo está pautado na evolução da tecnologia da informação.

6/4/09

Da mesma forma que o ensaio anterior, esse dia foi reservado para elaboração de segundo vídeo realizado para cena/platô 1 – pinel, pois surgiu uma segunda proposta de encenação a ser realizada por outro ator. Assim, repetiu-se na nova versão o processo de montagem de cenário, iluminação, maquiagem, captura de imagens (e edição dos trechos nos dias subseqüentes). Dessa forma, além da transmissão ao vivo, ficaram duas possibilidades a serem experimentadas durantes os ensaios (além da possibilidade de uma edição mista), conforme o decorrer das encenações.

27/4/09

Elaboração do primeiro vídeo realizado na cena/platô 1 – pinel.

Segundo o roteiro da cena 1, o personagem aquiles será representado por meio de transmissão por televisão ou projeção (ainda a ser decidido). Nesse dia, foram realizadas as filmagens da imagem que servirá como suporte para ensaios seguintes. O objetivo é, através dessas imagens pré-gravadas, dinamize-se a execução dos ensaios (para que, a cada novo ensaio, a estrutura de transmissão não precise ser totalmente remontada). Outra possibilidade do que pode acontecer a essa cena seria, através da edição das imagens capturadas do personagem Aquiles, o resultado fosse melhor que as tentativas de transmissão ao vivo planejadas anteriormente. De qualquer forma, as imagens do personagem e suas falas estão capturadas e disponibilizadas digitalmente para os ensaios seguintes.

1/5/09

Encontro extra, em que foi produzida uma cena de julgamento a partir de uma proposta de falsa interatividade que surgiu em encontros anteriores do núcleo. Em cena, Édipo propunha ao público que escolhesse os culpados pela falta de comida na fábrica socializada, e o público faria suas escolhas com base nos personagens que apareciam nas telas de TV que estavam presentes em cena. A partir da escolha do público, a equipe técnica que ficava atrás do cenário (mas à vista) acionava os vídeos corretos para dar sequencia à cena. A complexidade da elaboração das possibilidades de escolhas do público garantindo uma sensação de livre escolha (mas que conduzia todos os resultados ao mesmo final) nos forçou a elaborar a cena sob uma lógica de programação de software: partindo da previsão de cada poossibilidade de escolha do “usuário” e apossibilidades e consequências a partir de cada escolha.

4/5/09

Nesse dia por causa da chuva que ocorreu o dia inteiro,a luz no Pinel acabou.Partindo desse cenário,ficamos em dúvida se aconteceria uma prática ou uma discussão teórica.Optemos pela discussão teórica sobre o nosso roteiro.Do roteiro ficamos discutindo em cima da sinopse.Até que ponto essa sinopse dizia sobre o processo?
Pelos relatos de cada um se constatou que a sinopse não dialogava com as cenas já apresentadas no ensaio aberto.Ou seja as cenas eram uma coisa e a sinopse outra coisa.
Essa discussão no núcleo de tecnologia foi de uma extrema importância pois foi um estopim para uma discussão maior ocorrida mais pra frente com todo o grupo sobre a revisão da sinopse de “Corpos Acumulados”.

18/5/09
Apresentação de jornadas
Referencia teórica texto HIPERTEXTO Christph Turcke

O hipertexto se compõe de texto fragmento de texto, imagens e sons interligados. Construção da (materialidade) virtualidade real, em que a própria realidade, (ou seja a experiência simbólica, material das pessoas) inteiramente capitada, imersa em uma composição de imagens virtuais, na qual as aparências se transformam nas experiências, vivência.

Objetivo: experimentar linguagens, formas de se expressar, representar e questionar a representação em cena, estar concentrado à vontade, perceber-se no tempo de atuação e experimentar o tempo.
Tansformar desejos em forma artistíca, a busca vira atração do shopping, contradição interna, relação com os outros, mais preucupado com a encenação do que com o personagem.

Depoimento de Ricardo:
Neste dia apresentei uma jornada com a Luzimara, para mim este foi um dia muito especial e foi muito interessante ter feito esta jornada com a luzimara, pois é umas das pessoas que eu contraceno a mais tempo no grupo e esta foi uma proposta muito díficil, eu trouxe uma jornada de hipertexto ela trouxe uma jornada tendo como referência teórica Maria Rita khel, chegamos todos, núcleo de técnologia e literatura, começamos a escolher espaços e pensar instalações dentro do convívio escolhemos o mesmo local e a Luzi prôpos de apresentarmos juntos, achei estranho pois minha proposta era passar por diversas experimentações, mas disse que tudo bem, e ela poderia ficar a vontade para interferir na minha trajetória. Foi a primeira vez que aquele espaço era utilizado, antes era o salão de beleza do pinel, agora recem conquistado o espaço virou nossa cozinha. Era uma sala pequena com um vidro grande em uma das paredes onde se vê quem esta fora do espaço, tinha uma geladeira, um microondas, um berço, um carrinho de bebê, e uma cadeira de cortar cabelo muito antiga, coloquei uma tv quebrada no carrinho e liguei uma outra dentro do berço.

Família fausto, na geladeira papéis, tinta e pincél, no berço uma tv com imagem granulada,no carrinho de bebê outra tv dormindo que de tempo em tempo fausto homem pegava para balangar como se fosse uma criança, Fausto mulher projeta em um armario imagens de pessoas entrando no trem na hora da muvuca. A imagem se repetiu várias vezes, inclusive depois que fausto mulher entrou dentro do armário e as imagens passaram a ser projetadas no interior deste armário (que era de azulejo branco) e em cima de fausto mulher.Fausto homem hora conversa com o público hora lê as folhas, Fausto mulher grita: Para! Diz que não quer mais dirigir, sai do armário e começa a arrumar as coisas, Fausto homem pede para ler suas folhas, entrega tinta,pincel e papel e pede para o público pintar o espaço em folhas, pega a tv que esta no carrinho e pede para que alguem do público a nine no colo, fausto mulher faz um chá no microondas, senta na cadeira de cabeleleiro e toma o chá pensativa, Fausto homem diz que o objetivo era fazer uma cena onde pudesse cantar, ler cantando, pintar, o público pintar, filmar e fotografar, diz que se o público quiser ir embora pode ir, a cena só acaba quando todos forem embora , Fausto mulher continua arrumando as coisas, o público formado por atores dos núcleos diz que já esta tarde e que precisariamos arrumar as coisas. Fausto homem diz que é sério, a cena só acabaria quando todos saíssem, as pessoas vão saindo aos poucos até Fausto homem estar só dentro da sala agora vitrine visto pelo lado de fora pelo público que agora não é mais público e sim público-contra-regra desmontando as suas instalações.

Depoimento de Luzimara:
O que eu pensei:
a proposta pra jornada era usar o conteúdo do capítulo 1 do livro Sobre ética e psicanálise, da Maria Rita Khel, na forma do Hipertexto.
- alguns trechos que me ficaram da Khel:
o sujeito ser o falo do outro, obturando sua falta no outro, o meu desejo é o desejo do outro, todo desejo é no limite, desejo de sujeição ao outro, sujeito que vai calando seus impulsos e desejos em troca da convivência com o outro, vai silenciando até se alienar de si mesmo.
- Hipertexto: labirinto, infinitas possibilidades de se movimentar
- auto-aniquilamento: procurar registros que eu nunca experimentei
- Fausto: construir esse personagem a partir desses pontos levantados

Eu não consegui fechar direito a jornada, mas aí eu e o Ricardo começamos a montar umas instalações na cozinha, falamos mais ou menos um pro outro o que tínhamos pensado; vendo a nossa instalação eu quiz experimentar um registro realista: a cozinha, a geladeira, preparar um chá; a casa do Fausto na infinita construção do shopping. eu coloquei um vídeo que eu havia gravado naquela semana: o trem, linha Calmon Viana, na estação Brás, às seis da tarde, quando a porta abre e a multidão entra. Improvisamos, a cena toda foi uma grande improvisação, diálogo, tentativa de diálogo, tentativa de auto-aniquilamento, interpretaçào e não interpretação, estar aberto para o que o outro vai propor e não ter a mínima idéia do o outro vai propor…

Neste dia também foram apresentadas mais três jornadas do Núcleo de Teatro e Literatura, utilizando tele-presença, projeção e instalação interativa com o público. Mostrando uma superação dos atores com relação ao manuseio dos aparatos técnicos.

25/5
Diante da sensação geral dos integrantes do núcleo de que a pesquisa a partir de todas as referências apontadas nos dias 2 e 9 de março estava sendo menos produtiva e potente do que se tivéssemos todos os esforços concentrados na investigação de uma única e mais sólida referência, optamos por direcionar os encontros do núcleo com base apenas no texto Rizoma, de Deleuze/Guattari, que era de onde havia surgido a idéia de termos um “Centro Rizomático” em cena. Com essa referência, continuaríamos traçando paralelos com Orwell e Huxley e foi acordado que manteríamos a liberdade de trazer outras referências, mas não como bibliografia oficial do núcleo. A partir desta data, também passaríamos a dedicar mais tempo a experimentações e discussões, buscando formas mais pontentes do que a segmentação teórico-prático.

01/06

Juntando nesse dia o núcleo de tecnologia(partindo como referência “Hipertexto”) com o literatura,houve uma grande instalação no convívio antigo,utilizamos todos os possíveis equipamentos(amplificador,projetor,microfone,computador,câmera e até um microondas).Nesse dia utilizamos o projetor só com letras em vez de só as imagens,usamos pipoca de microondas como a explosão do shopping remetendo ao espetáculo(cinema)que antes foi uma tragédia(explosão).Éramos nesse dia público ao mesmo tempo que participantes.
“ O mundo não cabe numa única cabeça e muito menos se equilibra apenas em uma”

08/06
Rizoma

O rizoma é regido por alguns princípios básicos:

1. Princípio de conexão: qualquer ponto do rizoma pode ser/estar conectado a qualquer outro. Nunca há um rizoma, mas rizomas; na mesma medida em que o paradigma fechado paralisa o pensamento, o rizoma, sempre aberto a relações, faz proliferar pensamentos.

2. Princípio de ruptura constante: embora seja dividido por linhas, está sempre sujeito às linhas de fuga que apontam para novas e insuspeitas direções. Embora se constitua num mapa, o rizoma é sempre um rascunho, um devir, uma cartografia a ser traçada sempre e novamente, a cada instante.

3. Princípio de cartografia: o rizoma pode ser mapeado, e tal cartografia possui entradas múltiplas, isto é, o rizoma pode ser acessado de infinitos pontos, podendo daí remeter a quaisquer outros pontos em seu território. O rizoma, enquanto mapa, possui sempre regiões insuspeitas, uma riqueza geográfica pautada numa lógica do devir, da exploração, da descoberta de novas facetas. O rizoma degenera, faz florescer, desmancha, prolifera. No rizoma são múltiplas as linhas de fuga e portanto múltiplas as possibilidades de conexões, aproximações, cortes, percepções.

4. Princípio de multiplicidade: o rizoma é sempre ultiplicidade que não pode ser reduzida à unidade. O rizoma não possui uma unidade que sirva de pivô para uma subjetivação/objetivação: o rizoma não é sujeito nem objeto, mas múltiplo.

Neste dia depois de conversar surgiu a idéia de fazer a discussão sobre a referência, dentro de uma instalação proposta pelo grupo, geralmente esta conversa é feita em roda e este é o dia que o núcleo troca impressões, idéias para levantar procedimentos práticos para o próximo encontro.

INSTALAÇÃO
-um primeiro espaço com uma camera de segurança
-um segundo espaço com cadeiras em volta de uma tv, que passa imagem do primeiro espaço. Em frente a tv uma segunda câmera.
-no terceiro espaço era projetada a imagem da segunda câmera e de frente para esta projeção uma terceira câmera,
-no quarto espaço era projetada a imagem da terceira câmera, que acumulava imagens de todos os espaços

Conversamos nos relacionando com a instalação no espaço proposto, surgiu a idéia de dividir a instalação em Platôs, combinamos que para o próximo encontro cada ator traria a improvisação do Platô escolhido para apresentar para o grupo.
Teatro Peripatético, aprender caminhando e experimentando.
Acho que ainda temos muito que melhorar, pois tudo isso demanda um tempo de estudo e prática coletiva.

15/6
A partir da opção por prosseguirmos a elaboração do espetáculo agora influenciados pela forma do “rizoma”, definimos que o papel do núcleo de tecnologia (que foi onde ganhou forma esse conceito dentro do processo) seria o de promover, por meio da tecnologia, os atravessamentos (ou pontos de entrada e de fuga) entre cada um dos platôs na estrutura do espetáculo – radicalizando a forma do rizoma como um grande emaranhado de interconexões que, somadas, estabelecem camadas diferentes de entendimento das informações.

22/6
Revisão geral do histórico do núcleo, organização dos aprendizados acumulados para resgate do cronograma e para apropriação destes aprendizados nas próximas etapas, de definição destes “atravessamentos”.