O núcleo de Literatura foi criado com o objetivo de através da leitura de obras (tanto romances como referências teóricas) compreendermos melhor nosso processo. Havia então uma necessidade de entendermos o sujeito da modernidade, o grupo num primeiro momento selecionou duas obras (Fausto de Goethe e No Caminho de Swann de Marcel Proust), a partir da leitura parcial desses livros e de várias propostas de encenação e tendo o personagem Fausto em mente, surgiu uma cena interessante com o personagem Fausto no Pinel.
Sentíamos vontade de aprofundar o conhecimento sobre o Fausto e também sobre a obra de Proust. O grupo a partir desse desejo levantou novas referências: ”Proust, Poeta e Psicanalista – A arte e seus celibatários” – Phillippe Willemart, ”Proust e a Fotografia” (Brassai) + “Sobre a Fotografia” (Susan Sontag), “O cinismo e a falência da crítica” – (Vladimir Safatle), “Grande Sertão e Dr. Faustus” – (R.Schwarz) e “Um mestre na periferia do capitalismo” – (R. Schwarz). Tentávamos conciliar a leitura dessas referências mais a continuação da leitura de Fausto (Goethe), e No Caminho de Swann (Proust). Depois de lidos alguns dos primeiros textos percebemos que apesar de muito boas estas referências eram muito variadas, o núcleo não tinha um objetivo claro, não tinha um foco de pesquisa. Nesse momento o diretor sugeriu que continuassemos pesquisando a subjetividade e para poder contrastar o sujeito da modernidade de Proust e Goethe com o contemporâneo sugeriu as referências: “Sobre ética e psicanálise” (Maria Rita Kehl), “A paixão do negativo” (Vladimir Safatle), “O mínimo eu” (Cristopher Lasch), “O anti -Édipo (Deleuze e Guattari), “A loucura do trabalho” (Cristophe Dejours). Partes desses livros que tratavam sobre a subjetividade foram selecionadas, o grupo concordava e sentia vontade de estudar mais profundamente a subjetividade mas decidimos por diminuir o número de referências e ler os livros de Maria Rita Kehl e Deleuze e Guatarri mais profundamente. O foco seria estudarmos a subjetividade do sujeito contemporâneo para tentarmos após isso construir a narrativa e elaborar propostas de construção dos personagens. Teríamos como desafio compreender as diferenças entre cada referência, como cada autor trata o inconsciente? Qual o lugar da palavra para esses autores? Qual o conceito de saúde e cura para a psicanálise? E Deleuze e Guattari? Quais as possibilidades de vida resultantes dessa conceituação?
A partir da leitura de Sobre Ética e Psicanálise em encontros divididos entre pesquisa teórica, discussões e prática, começamos a compreender o sujeito da psicanálise, carente de pai, de liderança e de justificativa, começamos a entender seu desamparo, sujeito do conflito que “deseja servir ao Outro”. Sujeito que em análise é capaz de enunciar “pequenas verdades singulares recalcadas”. Nas últimas semanas que antecederam a entrega deste relatório lemos 2 textos (Saúde Mental e Controle – Mutações no Campo Psi de Leandro Siqueira, Cinco Proposições Sobre a Psicanálise de Gilles Deleuze e iniciamos a leitura e discussão do Anti-Édipo também de Gilles Deleuze e Fellix Guattari.
Uma característica marcante desses textos diz respeito a enunciação do sujeito. Para Deleuze e Guattari ela se deve “as multiplicidades, às massas, às matilhas, aos povos, às tribos, aos agenciamentos coletivos”. De um lado os enunciados individuais da Psicanalise do outro os enunciados coletivos de Deleuze.


