O núcleo peripatético Teatro e Artes Plásticas investigou a linguagem visual, e sua materialidade na cena, a partir do conceito de montagem. Comum a todas as vanguardas do século XX, a montagem se utiliza do choque entre elementos e universos diferentes para a construção de imagens polissêmicas. Interessa a este núcleo o diálogo direto com a realidade do espaço urbano. Por isso, a investigação aqui terá como materiais o lixo, os trapos, o que está degradado, gasto, o que foi abandonado e não tem mais valor de troca. A montagem torna-se montagem de ruínas, fragmentos de pesadelo e segregação que tornam-se objeto de reflexão e emancipação. Portanto, a pesquisa neste núcleo se dará deu duas maneiras:
1-Partindo da linguagem plástica para se construir a cena: interferindo no espaço depois de explorado, fazendo instalações, criando um cenário, um figurino ou um adereço, de acordo com um determinado tema que se esteja trabalhando.
2- Partindo da cena, para depois pensá-la plasticamente:como a linguagem plástica pode complementar ou contrapor uma cena e modificá-la.
Dessa forma pesquisaremos sempre as Artes Plásticas, ou servindo como elemento de sugestão para a criação da cena, ou complementando, modificando uma cena levantada anteriormente.
Foram os modernistas, que quebraram com os conceitos tradicionais da arte ao perceberem que os tempos necessitavam de outras formas e maneiras de criação que pudessem fazer jus às transformações e novas maneiras de viver do homem moderno.
Estamos novamente vivendo o que os modernistas detectaram, um tempo histórico outro, em que é necessário novamente romper com as formas artísticas pré-existentes.
É olhando para esses artistas que conseguiram transformar todo um pensamento filosófico, cultural e estético durante o avanço do capitalismo industrial e no período das grandes guerras até os anos 70, que nos apoiaremos para pensar e criar novas relações, levando em consideração o novo momento histórico e transformações sociais pelas quais estamos passando.
Alguns procedimentos práticos do Núcleo de Artes Plásticas
18/02/2009
Referência: Francis Bacon e Cena 1
Coordenadora: Carmem Soares
Local: convívio e frente da capela.
Materiais: folhas de sulfite e giz de cera, folha sulfite com texto do Beckett e imagens impressas do Francis Bacon.
Primeira Parte
Instrução: Ir até o convívio e ouvir os “gritos” do espaço – Permanecer por meia hora lá dentro, “conversando” com os gritos dos moradores.
Forma de diálogo: Pedir para os moradores desenharem os seus sonhos.
(Isso feito – descer em silencio para o espaço da cena 1 em frente a capela)
Segunda Parte
Instruções:
Caminhem pelo espaço. Quais mudanças o espaço do convívio trouxe para o seu corpo?
Que tempo tinha aquele espaço? E esse? Transforme-os em movimentos nos seu corpo agora.
Que dores tinha aquele espaço? Quais os gritos escondidos? E os escancarados?
Traz agora para o seu corpo os gritos daquele espaço.
Revele com o seu corpo as dores daquele espaço
Coloque o seu corpo para trabalhar com essas sensações!
Seu corpo trabalha com os pesadelos dos outros.
3ª parte (colocar vendas nos participantes)
Seus movimentos são movimentos de pesadelo. Seus gritos são sufocados por pesadelos. Os seus gritos ficam presos dentro do seu corpo. Seu corpo grita, seus gritos tentam sair, mas não conseguem – seus gritos tentam sair por várias partes do seu corpo – eles vão de um lugar ao outro te atormentando – seus gritos se debatem dentro do seu corpo – eles querem sair pelas mãos, pela cabeça, pela boca, pelos olhos, pelo nariz, mas todos os seus poros se fecham trancando os seus pesadelos.
Seu corpo se transforma numa máquina de pesadelo e horror, seu corpo acumula gritos.
4ª parte (tirar a venda e entregar textos do Beckett e imagens de Francis Bacon)
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ESTE É O CAMPO DE REFUGIADOS
“aqueles se arrastando na frente aqueles se arrastando atrás cuja sorte tem sido cuja sorte serão o que sua sorte é cortejo infinito de sacos arrebentados para proveito de todos”
Instruções:
Os seus pesadelos saem por essas palavras…
Quanto mais você diz essas palavras mais você se liberta dos seus pesadelos Quanto mais você se liberta dos seus pesadelos, mais você adquire outros e mais outros…
5ª parte (construção da cena)
estímulo: “O campo de refugiados é um pesadelo que precisa ser extinto”
26/02/2009
Referência: Francis Bacon e Cena 3 Safári do Shopping – Ulisses Atração
Local: Cipós
Materiais: fitas cassete e de vhs
Coordenadora: Carmem Soares
1ª parte
Instruções:
Caminhe pelo espaço. Sinta o peso do seu corpo – sinta onde ele pesa.
Sinta o ar do espaço – o ar deste espaço torna o seu corpo cada vez mais pesado.
Quanto mais você respira esse ar – mais o seu corpo pesa.
O ar deste espaço é espesso, é quase instransponível.
Você tenta caminhar, mas o ar te sufoca, te oprime.
Este espaço é tóxico, o ar deste espaço é tóxico.
Você respira este ar. Este ar tóxico vai para dentro de você!
2ª parte (entrega fitas cassete e de vhs)
Essas fitas protegem seu corpo do tóxico
As fitas envolvem seu corpo e envolvem o espaço
O tóxico te pertence. Foi você quem o trouxe.
Como o seu corpo tóxico se movimenta e se protege com as fitas?
Você tenta apagar com as fitas a sujeira do seu corpo tóxico.
Foi você quem trouxe o tóxico – você é o culpado. As fitas abafam a sua culpa.
3ª parte:
Improvisação de cena:
“Ulisses tenta apagar com as fitas sua culpa por ter trazido os corpos tóxicos e vira atração do shopping”
05/03/2009
Coordenação: Marcelo Correia Referência: Andy Warhol
Dentro do universo da obra de Warhol, Busquei um elemento que pudesse ser transposto tanto para a experiência corporal quanto para a pictórica. Cheguei a conceito de interferência a partir das interferências que ele fazia com a imagem, como nas imagens de Mao Tse-Tung e John Lennon, a interferência das cores nas imagens de ícones e produtos gerando uma outra relação com estas.
Procedimento 1 – Interferência no corpo e no espaço do outro.
Apresentar-se na roda: fazer um gesto e falar o seu nome.
Andar pelo espaço. Instruções durante a caminhada pelo espaço: Formar grupos pelas cores da calça, camisa. Andar em grupos de três. Formar dois grupos: o grupo de artesãos e o grupo de corpos argila.
Moldar o corpo do outro. Artesãos moldam corpos como se fossem de argila a partir da observação de algumas imagens: fotos de pessoas trabalhando, operando máquinas, colhendo trigo, etc.
Dar vida às esculturas. Artesãos criam uma grande engrenagem a partir da idéia de uma escultura interferir no espaço da outra (rearranjando as esculturas no espaço) e sugerindo a cada uma um movimento. Improvisar pausas e alterações rítmicas da engrenagem.
Procedimento 2 – Interferência
Interferir na imagem. As pessoas que foram modelos de corpo argila observam as mesmas imagens que os artesãos viram e que serviram de molde para os corpos argila interferem com cores nessas imagens: usar giz de cera e tinta guache.
02/04/2009
Referência: Andy Warhol; cena 3; coordenação: Luzimara Azevedo
A obra de Andy Warhol parte de fotografias. Warhol as utilizava para obter glamour, e não verdade. As imagens de estrelas refletem o fato de que o mundo as conheceu (Elvis Presley, Marily Moroe, Elizabeth Taylor…) amplamente pelo mundo da fotografia. A repetição está presente em toda sua obra: ‘a razão pela qual estou pintando desse jeito é que quero ser uma máquina. Quanto mais você olha a mesma coisa, mais o sentido se perde e mais vazio você se sente” (Andy Warhol). Outra característica presente em sua obra é a ambiguidade: todas as suas obras de calamidades – Warhol passou a pintar, durante um período, apenas pinturas de desastres – contém trechos em que é impressionantemente incerto o que está acontecendo. (David Sylvester)
Espaço: nos cipós, lugar abandonado do Pinel
Material: tintas e imagens de Andy Warhol
Procedimentos: Andar pelo espaço; seus movimentos partem da coluna; seus movimentos partem da coluna e das articulações; seus movimentos dialogam com o espaço;
Seus movimentos vão se tornando movimentos de destruição: partem da coluna e das articulacões e destroem tudo o que você toca;
Tintas e imagens de Andy Warhol eram entregues: pintar a destruição sobre essas imagens. Improvisar uma cena sobre a explosão do shopping, usando os desenhos.
09/04/2009
Referência teórica: JASPER JOHNS; cena 3; coordenação: Ricardo Augusto
“ Intenção envolve um fragmento muito pequeno de nossas conciências e mentes e de nossas vidas. Acho que uma pintura deve conter mais experiência do que simplesmente afirmação intencional. Eu, pessoalmente, gosto de manter a pintura num estado de afirmação reticente, de modo a deixar as pessoas com o fato de que podem experienciá- la individualmente como bem quiserem; ou seja, não enfocar a atenção numa direção, mas deixar a situação como uma coisa meio momentânea, de modo que a experiência dela seja variável.” Jasper johns.
Objetivo: Trabalhar o olhar, experimentar o olhar, reconhecer o outro, experimentar no corpo movimentos contraditórios,experimentar formas de perceber o espaço e o outro,
Obter retratos uns dos outros e a partir destes retratos pesquisar o personagem Aquiles.
Espaço: NIA
Procedimento: os participantes iniciam uma roda, com o foco para o seu corpo e respiração; em seguida cada participante se apresenta e propõe um movimento, depois todos movimentam-se pelo espaço experimentando formas de reconhecer o espaço com o corpo e com os olhos, a partir dos seguintes estimulos:
CORPO : OLHAR:
- quanto escurece, tanto clarifica - olhar todos objetos do espaço
- formar e dissolver - olhar todas as pesoas do espaço
- apertar e afrouxar - olhar com visão rápida / lenta
- aparecer e desaparece - olhar com visão exata / distorcida
- florescer e fenecer - olhar com visão simultânea/ penetrante
Depois de passar por essas etapas é entregue para os participantes papel e giz de cera e pede-se para fazer retratos uns dos outros e fotografar.
16/04/2009
Referência: Jaspers Jonhs; cena 3; coordenação: Ricardo Augusto
Este ensaio foi proposto a partir de uma conversa do núcleo no encontro anterior onde nos questionamos sobre a forma de recepcionar, como apresentar o projeto, o núcleo para os novos participantes.
“ Vejo a obra como algo que diz respeito ao processo, transformação. Não pense. Olhe. O modo como as idéias são transmitidas é o modo como ela se dá a ver. Experiência variável. Dizer e ser, o que se pode dizer e o que se mostra. Antes mostrar do que dizer. Ver e fazer, fazedor.” (Jaspers Jonhs)
Espaço em que a atividade foi realizada: Convívio antigo
Materiais utilizados – panos pretos, tvs, câmeras, dvd portátil, aparelho de dvd, extenção, beijamim, amplificador, microfone, mp3, dvd com imagens do processo, de divulgação e da cena 3.
Neste encontro foi utilizado o procedimento criado pelo encenador Stanislavski em dialogo com trecho da Cena 3 do roteiro, também foi utilizado uma instalação feita anteriormente no Núcleo de Teatro e Vídeo, tendo como referência Enseistein – montagem – na qual seis telas (display de camera, aparelho dvd portátil e televisores) eram dispostas no espaço, passando imagens gravadas do ensaio da cena 3, imagens do processo em geral e os videos de divulgação.
Procedimentos:
1. Utilizando a instalação, assistir vídeo de divulgação. (vídeo em anexo), a partir do vídeo abre-se para uma conversa onde os novos falam suas impressões e expectativas e os integrantes do grupo sobre a II Trupe, processo, Núcleos Peripatéticos e Núcleo de Teatro e Artes Plásticas;
2. Leitura da sinopse do roteiro. Pede-se para que aqueles que não estiverem lendo, ouvir sem deixar de acompanhar as imagens, seguindo para uma conversa sobre a escrita acumulada. Faz parte do exercício que todos falem sobre suas impressões;
3. Apresentação da referência teórica e do trecho da Cena 3 para este encontro;
4. Aquecimento Corporal: Utilizando o microfone e o amplificador, pede-se para que os participantes andem e reconheçam o espaço de forma livre, ao som de musíca e de interferências verbais, de conceitos relacionados ao artista Jasper johns, propostos pelo coordenador;
5. pede-se que em silêncio todos se olhem, e depois que todos olhem uma pessoa, até que todos sejam olhados pelo grupo;
6. Pede-se que os participantes escolham um personagem e um objetivo para este;
7. Estátua: faça com que este objetivo percorra todo o seu corpo, é importante visualizar onde este se encontra e para onde ele vai (deixar isto por um tempo), depois pedir para que o movimento do corpo retorne a partir do ponto onde se encontrava o objetivo, percebendo quais modificações ocorreram, como o objetivo muda o corpo;
8. A partir de agora o exercício se repete variando as formas de como este objetivo é conduzido no corpo do participante. Mais rápido até o limite, em todas as direções, lento até parar, perceba onde ele para, e volte a movimentar seu corpo a partir deste ponto;
9. Após essa etapa de experimentação de personagem, ir para o espaço onde a cena 3 está sendo trabalhada pelo grupo; entregar fragmentos de escrita e pedir improvisação em duplas;
10. Conversa final, impressões sobre o encontro
23/04/2009
Referência: Natureza-morta: Cezzáne, Braque e Bonnard; cena 3; coordenação: Luzimara Azevedo
Cezzáne estava propondo sentar-se diante de um tema ordinário e transpor para a tela suas sensações sobre estes temas de tal forma que a obra resultante tivesse a grandiosidade que os antigos mestres davam às suas composições.
“ A imensidão, a torrente do mundo em um pequeno pedaço de matéria. A natureza-morta sobre a mesa do ateliê torna-se uma metáfora sobre a imensidão do mundo; e também de torrente, porque não está morta, inanimada,: está viva, em movimento, transformando-se, inconformada. A obra de Cezzáne nos dá tanto o senso de fluxo quanto de permanência, e não há nenhum acordo entre esses opostos.”(David Sylvester)
Espaço: em que é realizada a cena 4.
Proposta: Pensar plasticamente o espaço do Shopping Helena – o primeiro shopping estético das selvas.
Fomos para o espaço da cena e começamos a criar instalações a partir do tema natureze-morta.
Resultado: penduramos vários vestidos nas árvores, como frutos.
08/05/2009
Referência: John Cage; cena 3; coordenação: Luzimara Azevedo
Transformava partituras musicais em obras de arte.
“ Na música de Cage, o intérprete não é um executante daquilo que outro alguém quer dizer; ele é um co- compositor, compartilhando as decisões sobre o quer dizer. (David Sylvester)
Espaço: NIA
Proposta: Foi solicitado para que cada participante escolhesse quatro objetos para levar para o NIA; espalhamos os objetos pelo espaço;
Fazer uma roda e cada um se apresentar;
Andar pelo espaço; passar pelos objetos;
Andar buscando o olhar do outro; andar buscando relações com os objetos;
Congela: passávamos partituras de Jonh Cage para todos olharem; em pequenos grupos, escolher uma imagem e construir uma instalação, a partir das partituras, com os objetos espallhados.
Fomos criando instalações, fotografando e refazendo as instalações com a interferência da fotografia.
15/05/2009
Referência: De Kooning; cena 2; coordenação: Luzimara
“ O quadro Mulher I foi um caso muitíssimo especial, visto que esse tema foi considerado chocante por vários motivos: 1. A imagem de uma mulher com olhos esbugalhados e dentes salientes foi tomada como uma visão extremamente hostil da feminilidade humana. 2. A singeleza do tema: uma mulher sentada ao ar livre; a vanguarda dos anos 60 tomou como crassa traição aos princípios e aos camaradas do movimento expressionista abstrato que um de seus membros fizesse uma série de pinturas tão imediatamente identificável e rematadamente tradicional”. (David Sylvester)
Espaço: NIA
Materiais: maquiagem , espelho, máquina fotográfica, notebook com imagens de De kooning
Proposta: Fazer uma roda e dizer o nome; na roda, faz um gesto e os outros imitam, transformando o gesto do outro – qual o tempo do gesto? Quais os sons?
Seus gestos são de mar;
Seus gestos são de sareia;
Formam-se duplas: um é o espelho do outro; são entregues maquiagens: eu pinto o meu rosto como se estivesse diante do espelho – inspirado nas imagens do De Kooning.
Fotografamos os rostos pintados – imagens de sereias;
Improvisamos cenas partindo do tínhamos experimentado no exercício.
15/05/2009
referência: Joseph Beyus, cena 3, coordenação: Ricardo Augusto
JOSEPH BEUYS- “ todo homem é um artista”
DAVID SYLVESTER- Ele estava de bricadeira? Será que empregou a palavra “homem” ou a palavra “ artista” com algum sentido enigmático? Terá forjado uma versão abreviada para o truísmo “todo homem é um artista até chegar aos onze anos?”
Testemunho de Ricardo Augusto: “ Não sei, pra mim o que ficou, foi que todo ser humano é um artista, a experiência pessoal é o único caminho capaz de nortear a criação’, um artista é um fazedor, isso lembra um ensaio do núcleo de interpretação cuja referencia teórica era Meyerhold, e neste encontro o participante experimentava formas de expressar algo, definido na ocasião, através da escrita, da pintura, do microfone, variação de linguagens.
Objetivo: experimentar linguagens, estimular comunicação e percepção do fazer
Espaço: NIA.
Materiais utilizados: câmera filmadora, máquina fotográfica, tinta, papel e pincel.
Procedimento: pedir para que os partipantes contem sonhos; pedir movimentação a partir deste sonho; experimentar movimentos do sonho; entregar a câmera para um dos participantes e pedir que filme o sonho do outro, todos devem filmar e apresentar; entregar a máquina fotográfica e pedir para que tirem fotos do seu sonho; entregar pincel, tinta e papel e pedir que pintem o sonho no papel.
O exercício acabou se modificando na hora da execução, transformando-se em algo também muito interessante: caminhar pelo espaço, procurar fazer movimentos que não realiza em seu cotidiano, trazer para o corpo movimentos de sonho; estátua: quem está com a câmera continua se movimentando, filma o espaço; os outros participantes escolhem uma pessoa e entrega a câmera, todos voltam a movimentar-se, isso se repete até que a câmera passe por todos, quem está sem câmera não pode ser filmado, foge da câmera e foge do outro, (neste momento todos estavam muito atentos na atividade), estátua: pedir para as estátuas preencherem o espaço com palavras, quem está sem câmera não pode ser filmado e deve mover-se lentamente – o espaço da atividade era um espaço pequeno, isso ajudou a manter o foco no exercíci0 – depois foram pintados os sonhos. A partir da proposta foi feito um vídeo que seria utilizado na proposta da semana seguinte. Em conversa a enfermeira presente, ela questionou o estímulo que falava sobre fuga, mas disse estar adimirada com o desempenho de meninos como o Odilon que segundo ela não falava muito e sempre se encontrava muito quieto, ele participou com muita intensidade da atividade. Com relação à fuga, o coordenador respondeu que o objetivo era fugir da câmera, evitar que sua imagem fosse capturada e que o estímulo seguinte era fugir da câmera em um tempo muito lento
22/05/2009
Referência: René Magritte
Coordenadora: Carmem Soares
Local: NIA
Materiais: projetor, câmeras fotográficas e filmadora, vídeo, televisão, notebook, mídia com o filme do encontro anterior.
Primeiro:
Mostrar aos participantes um filme com imagens do trabalho realizado na semana anterior
Depois Mostrar aos participantes as imagens do Magritte com o uso do projetor.
Isso feito, pedir para:
Caminharem pelo espaço.
O nariz conduz todos os movimentos
Depois os olhos, a boca, a orelha, o rosto a cabeça…
Pedir para sustentar.
Mostrar uma outra imagem do Magritte pelo projetor
Ao sinal da minha palma – A partir da imagem que estão vendo falar palavras que vierem a cabeça – continuarem caminhando e falando as palavras.
Pedir para sustentar.
Mostrar outra imagem do Magritte pelo projetor
Ao sinal da minha palma – a partir da imagem que estão vendo vão fazer um gesto.
Como esse gesto ganha movimento pelo espaço? Ao sinal da minha palma – Vai!
Andem pelo espaço.
(paramos aí para dar seqüência na semana seguinte)
29/05/2009
Continuação da semana anterior: René Magritte
Local: NIA
Materiais: imagens impressas do Magritte, texto impresso do ítalo Calvino, objetos diversos que usamos em cena, câmeras fotográficas e filmadora, manequim sem cabeça (objeto cênico).
Coordenadora: Carmem Soares
Retomar – Mostrar novamente as imagens do Magritte, agora impressas em folhas de sulfite – Antes: apresentação: Falar os nomes usando o megafone.
Passar a imagem de mão em mão – quem estiver segurando a imagem começa a contar uma história, o próximo a pegar a imagem continua a história e assim sucessivamente.
(duas imagens foram passadas – duas histórias construídas coletivamente)
2ª parte:
Pedir para caminharem pelo espaço . O jogo é: “Não deixa ninguém ver o seu rosto” . Você quer ver o rosto do outro, mas ninguém pode ver o seu, você esconde seu rosto com o seu corpo”.
3ª parte:
Entrega para cada participante, um tipo de objeto – instrução individualmente: “Esconde o rosto com os objetos” “Não deixa ninguém ver o seu rosto” – “Mas tente ver os rostos dos outros” . “Esconde sua imagem”. “Estão querendo roubar a sua imagem”. “Troca de rosto, troca de objetos”…
4ª parte – Leitura do trecho “O cavaleiro inexistente” de ítalo Calvino
“Era uma vez, tempos e tempos atrás, um rei, conhecido como Carlos Magno. Era um rei guerreiro, que costumava passar em revista os cavaleiros que o serviam. Um dia, como em tantos outros, parou seu cavalo diante de um oficial, virou-se para examiná-lo de alto a baixo e perguntou seu nome. O oficial, erguendo a viseira da armadura, respondeu-lhe, declinando, a plenos pulmões, seu longo nome… E, assim, outro, e outro, e outro até que…
– E você aí, que se mantém tão limpo… – disse Carlos Magno, que, quanto mais durava a guerra, menos respeito pela limpeza encontrava nos paladinos.
- Eu sou – a voz emergia metálica do interior do elmo fechado, como se fosse não uma garganta mas a própria chapa da armadura a virbrar, e com um leve eco – Agilulfo Emo Bertrandino dos Altri de Sura, cavaleiro de Selimpia Citeriore e Fez!
- E por que não levanta a celada e mostra o rosto?
O cavaleiro não fez nenhum gesto (…)
- Falo com o senhor , ei paladino! – insistiu Carlos Magno. – Como é que o senhor não mostra o rosto para o seu rei?
A voz saiu límpida da barbela .
- Porque não existo, sire.
- Faltava esta! – exclamou o imperador. – Agora temos na tropa até um cavaleiro que não existe! Deixe-nos ver melhor.
Agilulfo pareceu hesitar um momento, depois com mão firme e lenta ergueu a viseira. Vazio o elmo. Na armadura branca com penacho iridescente não havia ninguém.
- Ora, ora! Cada uma que se vê! – disse Carlos Magno. – E como é que está servindo, se não existe?
- Com força de vontade – respondeu Agilulfo – e fé em nossa santa causa!”
Ler com o megafone o texto acima e pedir para improvisarem…
Instrução: Eu vou ler um texto e vocês vão improvisar como quiserem…
(feito – palavras e ações pequenas, mas muito significativas , frases como “Eu tenho rosto sim” ecoavam pelo espaço – em dupla duelaram e improvisaram Calvino)
5ª parte – Montagem do Cavaleiro inexistente
Levamos um boneco sem cabeça e pedimos para escolherem um objeto dos que levamos para ser o rosto do cavaleiro inexistente.
Pedimos que colocassem objetos pessoais deles… não tinham.. uma havaianas e meus óculos foram improvisados na hora.
Um fazia o rosto do cavaleiro e o outro fotografava.
Instrução: “Fotografem o rosto do cavaleiro sem rosto”
Frase dita pela enfermeira muito desconcertada, tentando me advertir: “Eles não tem objetos pessoais aqui”…
10/06/2009
coordenação: Marcelo Correia e Ricardo Severino
Referência: Henri Matisse
Obs.: Na obra de Matisse, o que mais chamou a atenção da coordenação foram as cores. Mas, trabalhar apenas com as cores não era a intenção. A idéia era incluir algum tipo de ação concreta que pudesse coadunar com as cores e com algum elemento do espetáculo. Dentro do grupo de cenas pesquisadas para o espetáculo nesse momento, pairava uma figura nova para o elenco: Orfeu. Na cena, Orfeu canta para os bois. A partir da ação de cantar para o boi e das cores de Matisse surgiu a idéia do ritual: cantar para o boi nascer.
Procedimento 1 – Observar as figuras e cores de Matisse.
Procedimento 2 – Cantar para o boi nascer.
Formar a roda dos ritmos e vozes. (Colocar no meio da roda tintas coloridas e dois painéis feitos com papel craft) Apresentar-se na roda. A história de Orfeu é contada: “Orfeu canta para as árvores e os informa que todos os antigos trabalhadores transformaram-se em boi quando Eurídice se foi”5. Instrução I: Cantar para o boi nascer. Atores iniciam com frases e segue-se espontaneamente pela roda. Instrução II: pintar o boi e cantar para o boi nascer.


