Desde outubro de 2006, a II Trupe de Choque desenvolve um processo colaborativo de criação, permanentemente aberto à participação de novos integrantes, com ou sem experiência em teatro. De 2006 a 2008, o grupo trabalhou exclusivamente na Usina de Compostagem de Lixo de São Mateus. A partir de 2008, passou a realizar núcleos de pesquisa, ensaios e apresentações também no CAISM Philippe Pinel.
Como tema do projeto, o grupo elegeu as relações de trabalho contemporâneas, partindo da hipótese de que o corpo humano, suas formas, desejos, órgãos, tecidos e líquidos, é fonte de geração do valor, isto é, célula constituidora da sociedade da mercadoria. A tríade tempo, espaço e corpo será aqui desenvolvida a partir de uma estrutura narrativa inspirada em uma notícia de jornal: a transformação de um antigo forte militar em um shopping center, no interior do Amazonas.
A Usina de Compostagem de Lixo de São Mateus e o CAISM Philippe Pinel são corpos de exclusão social. Ambos abrigam corpos excluídos, habitantes da des-razão, vozes abafadas pela lógica social dominante. Destas vozes e destes corpos este projeto pretende tecer sua polifonia.
Para estabelecer tal diálogo, entre corpos e espaços de exclusão, é essencial ao projeto a pesquisa sobre tecnologia, criando formas de comunicação digital (em gravações e em tempo real) entre os atores e o público dos dois espaços do espetáculo e, ainda, o público que deseje participar via web. A simultaneidade também é fator de aproximação entre espaços e seres humanos aparentemente muito distantes, apontando para a possibilidade de que a tecnologia, aliada a uma mudança profunda no olhar, seja capaz de combater o isolamento provocado por nossa organização política, social e, sobretudo, econômica.


