VÍDEOS DO PROCESSO DE CRIAÇÃO

by II Trupe de Choque » Be the first to add a comment.

Pensar pesquisar criar jornada ter percepção e sensibilidade ao montar uma cena ligar os fios procurar pontos de luz e alimentar toda iluminação a partir de materiais alternativos. Luzes frias e incandescentes, alterar sua cor criar dialogo diálogo com a cena, pensar em conceitos de luz que dialogue com a polifonia contida com o universo do espetáculo. Proteger equipamentos aprender na prática construir uma relação juntamente com o grupo fazer refazer resolver problemas, oscilação que causa o blecaute, lanternas acesas e atuar

Processo de Criação

O conceito que regeu o espetáculo, o da duplicação infinita e labiríntica da forma mercadoria, estabeleceu como princípio para a dualidade do espetáculo (que reproduz as contradições da sociedade brasileira) o de que a peça em cada cada espaço é outra e mesma sumultaneamente. Corpos Acumulados é igual e distinto de si mesmo nos dois espaços
Seguindo o conceito dos dois espaços, como no capitalismo brasileiro, o experimento avançou repondo o atraso, desenvolveu-se retrocedendo, modernizou-se alimetand-se do arcaico.
Infelizmente, a partir do segundo semestre de 2009 inviabilizou-se a estada da Trupe na Usina, com o espetáculo passando a ser realizado completamente no espaço do Pinel

Foram realizados no Pinel, de maio de 2008 a julho de 2009, os Núcleos de: Teatro e Literatura, Teatro e Música, Teatro e vídeo, Teatro e fotografia, Teatro e interpretação polifônica, Teatro e Artes Plásticas, Teatro e tecnologia

Os Núcleos Peripatéticos tiveram como objetivo principal fazer com que seus participantes, de forma lúdica e sensível, refletissem e atuassem criativamente sobre conteúdos relacionados à realidade social. Reflexão entendida aqui como retomar o próprio pensamento, pensar o já pensado, voltar para si mesmo e colocar em questão o que já se conhece

Nucleo de Teatro e Video

O método de exercícios investigado pelo Núcleo de teatro e Vídeo propõem uma rotatividade nas coordenações das atividades a cada encontro. De modo geral, em cada dia, um responsável pelo planejamento e coordenação da atividade. Ao demais, além de trazerem propostas e as usarem no decorrer do ensaio, cabe a responsabilidade de manter a dinâmica com os demais participantes dos ensaios do núcleo. Assim, quando a coordenação dos encontros obtém sucesso, através de estímulos verbais, corporais, visuais ou de objetos, estabelece-se uma relação com o tempo do espaço de cada um, gerando uma troca de experiências e histórias de vidas

O núcleo experimentou possíveis intersecções entre a linguagem teatral e o vídeo, através de gravação e edição de cenas improvisadas ou planejadas, sendo elaborados semanalmente novos vídeos

O vídeo nasce e se desenvolve numa dupla direção. De um lado, chamamos de vídeo um conjunto de obras semelhantes às do cinema e da televisão, gravadas com câmeras, posteriormentes editadas, em que, ao final do processo, são dadas a ver ao espectador numa tela grande ou pequena. Mas, de outro, vídeo pode ser também um dispositivo: um evento, uma instalação, uma complexa cenográfia de telas, objetos e carpintaria, que implicam o espectador em relações ao mesmo tempo perceptivas, físicas e ativas, abrangendo, portanto muito mais do que aquilo que mostram as telas. Algumas instalações de vídeo já não têm nenhuma imagem prévia (pré-gravada), nenhuma fita magnética com uma “obra’ registrada, nenhum vídeocassete para “rodá-la”: há nelas apenas um circuito fechado, em que o espectador, ao deixar-se incorporar ao dispositivo, vê a sua própria imagem desdobrar-se no espaço perceptivo

O vídeo é o lugar da fragmentação, da edição, do descentramento, do desequilibrio da polifonia, (heterogeneidade estrutural do espaço), da velocidade, da dissolução do sujeito, da abstração (não-figurativismo). O vídeo revela a realidade e que pelo registro do que é e acontece, constitui uma forma de pensamento e reflexão da realidade concreta daqueles que a vivem. Muitas formas de comunicação extrapolam a realidade, exagerando coisas normalmente aceitas ou simplesmente criando novas formas de se perceber esta realidade. Compreender as ações no campo da imagem em movimento, como a imagem nos possibilita o uso da tecnologia audiovisual, gerando novas propostas de criação, crítica e comportamento

ENSAIO EISENSTEIN

Para Eisenstein, o que diferencia o cinema das outras artes, é a “Montagem” Eisenstein trouxe para o cinema uma nova forma de compreender uma mensagem, mesmo sendo apresentada em fragmentos, um modo de contar historia projetado na linearalidade temporal. O que nomeou de justaposição de dois fotogramas, ou seja, dois planos independentes, filmados em separado e em momentos e lugares diferentes e distantes, são unidos na montagem e projetado em seqüencia. Com o acumulo de pequenos episódios do processo criativo do grupo, o vídeo reinventa suas próprias imagens, em uma fragmentação de imagens já usadas em outros vídeos, sendo (re) significadas em outro contexto e outro formato que sofre interrupções e retomadas

Durante o ensaio foram organizadas e utilizadas imagens de jornadas cênicas (ensaio) feitas pelos atores. A partir dessas imagens foram realizadas versões de vídeos para que os atores pudessem improvisar em diálogo direto com essas imagens, sendo experimentada com a narração do roteiro, o que modifica o sentido e o tempo das imagens.
Outra gravação foi feita do exercício descrito acima, sendo captada por outra filmadora, com novo áudio, regravado e trocado, gerando um acúmulo de imagem-tempo que transformou os fragmentos captados em um novo tempo, criando a montagem no momento da captura das imagens, e não na linha de montagem.
Outro foco da proposta da montagem, como estrutura, foram as instalações, onde se propôs uma vídeo instalação no espaço da atividade, sendo usado seis telas de diferentes tamanhos( tvs, aparelho de dvds portátil e display de câmera) passando imagens ao mesmo tempo, do processo de criação do grupo, da cena proposta para ser investigada no dia, o filme Encouraçado Potemkin do Eisenstein e vídeos de investigação e divulgação do grupo
Houve uma conversa inicial, na qual se detalhou o processo de construção e criação do grupo, criando outra montagem no ato da conversa com as imagens transmitidas do processo nos televisores ao redor do grupo. Em seguida assistimos a um vídeo de divulgação do projeto. Para aprofundamento do tema, usamos a sinopse do roteiro, onde cada um dos participantes narrou um trecho após comentou suas impressões sobre o tema, a relação com as referências, as instalações, os exercícios as formas possíveis de retrabalhá-las no espetáculo

ENSAIO Os Fuzis

Vídeo e ensaio se constrói, a partir do filme Os Fuzis, de Rui Guerra. A câmera foi utilizada a todo o momento, durante o ensaio, pois fazia parte do cenário, então, a cada elemento desse cenário foi sendo suspenso alternadamente, permitindo compreender a dinâmica do aparente caos de memórias dispersas
O encontro foi realizado nos fundos do Hospital Pinel, é hoje um local de extremo abandono e degradado pelo tempo. Nesse espaço, instalamos projetores, televisão, aparelho de DVD, refletores e cartazes contendo fotografias, ilustrações, frases e histórias dos personagens do nordeste, deixando à disponibilidade dos participantes um cenário de acúmulo de memórias: dos atores, dos personagens da peça e das pessoas documentadas pelo filme de Ruy Guerra. Durante o ensaio: na televisão, rodamos o filme, Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, que se passa na mesma região. Em outra instalação, usamos o projetor, em que assistimos Os Fuzis
Durante o aquecimento, iniciado de forma lenta, houve muita observação do espaço e desenvolvimento de ação interna. Além dos estímulos visuais, houve também os sonoros que remetessem aos universos verossímeis e estereotipados do cangaço
“De baixo do chivão de couro dos cangaceiros. Sempre havia um coração que teimava em pulsar, sentir e se expandir em cantigas de amor. O bakutinho ao que o cantor se refere, é a flor que ferrece e morre, sem dar frutos”
Durante a música os participantes percorrem em busca de diálogo com o espaço. Tem-se a observação intensa nas figuras, movimentações e frases espelhadas.
“Na cantiga seguinte o grupo vai pra missa, que é um jeito de dizer que vai pra luta. Os batedores que corre na frente do grupo, vigiando o caminho, são dois cães adestrados, Sereno e Gigante. Cujo faro denuncia a aproximação da polícia. Na linguagem dos bandoleiros, a presença dos macacos”


Os Fuzis
Enviado por TEATROEVIDEO. – Temporadas completas e episódios inteiros online

A câmera foi utilizada a todo momento, pois fazia parte do cenário pluralizado entre Trupe/Vídeo/Cangaço. Então, cada elemento desse cenário foi sendo suspenso alternadamente, permitindo compreender a dinâmica do aparente caos de memórias dispersas. Por exemplo: a música e imagens que remetessem ao cangaço eram “interrompidas”; depois, a movimentação e presença dos atores; depois, a interação como “proposta de ensaio”
Muitas partituras e falas incorporadas nas improvisações ao fim do ensaio:
A câmera até agora em movimento, pára. Enquadra uma das instalações. O áudio da canção pára. Silêncio. A câmera volta em movimento, vagueia e capta o que viria mais tarde a ser uma das primeiras partituras usadas nas apresentações das cenas
O movimento rápido e em circulo foi bastante explorado, usando sempre as mãos e os braços como escudos e nunca de costa para o outro. Observa-se aqui o início de criação de um dos personagens
Outro participante, parado em frente à televisão, em pequenos movimentos, dava passos e não saia do lugar. Seu rosto meio entristecido, meio alegre. Completamente fora daquele espaço
“Agradeça a deus a tua fome; agradeça a deus a tua sede; agradeça a deus a tua dor”

ATOR TÉCNICO OU TÉCNICO ATOR?

Pensar pesquisar criar jornada ter percepção e sensibilidade ao montar uma cena ligar os fios procurar pontos de luz e alimentar toda iluminação a partir de materiais alternativos. Luzes frias e incandescentes, alterar sua cor criar dialogo diálogo com a cena, pensar em conceitos de luz que dialogue com a polifonia contida com o universo do espetáculo. Proteger equipamentos aprender na prática construir uma relação juntamente com o grupo fazer refazer resolver problemas, oscilação que causa o blecaute, lanternas acesas e atuar. Exige o dobro de dedicação do coletivo, impossível não ficar triste quando um problema de luz ocorre e nesse momento você não é técnico é o ator que precisa manter segurar a cena. Ouvir propor soluções ser responsável, assumir seus erros, uma escola que se realiza na prática. Documentar caminho através da linguagem do vídeo, revisar materiais. Desenhar mapas visualizar o todo

Descansar?… Nem em pensamento, a cabeça ferve borbulha, criando soluções para os problemas, pensar no platô seguinte, chegar montar, caminhar subir descer e o corpo cansado entra em cena e se enche de energia se realiza sente calas frios a cada apresentação. Transformar a partir das impressões do público, preencher o espaço.
O ator técnico não será necessariamente o melhor ator, mas será alguém que se apropriará com mais naturalidade do conjunto. O ponto de vista surge da vista de diversos pontos: Corpos Acumulados é um trabalho plurivisual, polifônico em todos os sentidos. São anos de multiplicações que não se esgotam em si…
Lido hoje com poucos materiais técnicos em cena. Através de um chaveador controlo as imagens que aparecem no telão da cena da fábrica (platô 2 ). No platô 3 ligo uma TV a uma câmera. Opero essa câmera para frente para trás durante a cena. Ainda no platô 3 conecto um microfone ao seu fio e o uso, ligo uma câmera, ajusto a mesma para que esta envie minha imagem para a quadra, ligo um ponto de luz…

Dialogar com a tecnologia ter um objetivo e um super objetivo ao criar uma luz que completa cada cena. O ator técnico nunca está fora de cena, pois seu exercício começa quando chega no espaço saindo de cena quando guarda o último equipamento

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