Sonhei que participávamos dum festival de teatro numa cidade estranha – uma coisa meio interior, meio cidadezinha européia. Não apresentávamos um espetáculo pronto – era uma demonstração de processo em andamento. O local era um enorme galpão, com uma enome área externa. No galpão havia muitos objetos, móveis velhos, coisas gigantescas e sem uso. Colocamos tudo para o terreno aberto e nossa performance foi absolutamente caótica, artaudiana, intensa, conflituosa, destruidora. Muitas pessoas saíam na metade, muitas ficavam. Entre nós, muitos doentes mentais que não sabíamos se eram do nosso grupo ou se estavam lá para assistir à nossa piração. A divulgação do festival indicava, ironicamente, que nosso espetáculo era “infantil”, mas não havia criança alguma ali. Ao longo da performance, estávamos todos preocupados de não estarmos transmitindo coisa alguma à pequena multidão ali presente, mas ao final, após os aplausos, fazíamos uma roda para comentários, e um dos doentes mentais foi ao centro e disse claramente:
- Isso que foi feito aqui resume toda a história da minha vida.
E nós não sabíamos se ele dizia aquilo porque participara do processo e era do nosso elenco, ou se foi um expectador que se identificou.
Acordei com o despertador do celular.



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